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Faz parte do nosso show

Há tempos não escrevo aqui. Também já faz um tempinho que estou ensaiando. Esses dias andam turbulentos e excitantes, no tempo exato de proposição do equilíbrio entre o eu e o nosso. O hábito vai tornando uma realidade, também verdade. E é disso que se trata. Ando conversando frequentemente sobre a importância dos exercícios, pra que as teorias se modifiquem conforme a prática, garantindo a impressão autoral de cada indivíduo que se propõe a participar dessa obra.

Não menos artistas, os pedreiros exercitam todas as maneiras de se criar novos caminhos, novas ferramentas, novas configurações. A cultura, o pensar e o fazer cultural, insere os engenheiros, os pedreiros, os arquitetos, os políticos, os músicos, os médicos, na mesma condição de artistas, desde que haja a criação da sua própria obra de vida. Imaginar o que seria essa criação não é tão simples. E ao mesmo tempo, sempre possível, passível de transformação.

Oração Xamã

A Arte para os povos primitivos, se funde à religião e à ciência na figura de Xamã que era um poeta, escritor, médico e sacerdote. Em seus primórdios gregos, é a capacidade técnica pro desenvolvimento de habilidades humanas, desde o trabalho de um sapateiro até a de um músico. Do pedreiro ao músico, todos desenvolvem habilidades técnicas que pressupõe um exercício para o desenvolvimento humano e para a construção de sua própria visão de mundo. No sentido moderno, arte se enquadra como atividade artística ou produto de uma atividade artística.

Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura), e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem. Diante disso, acredito que a arte está muito além do que usualmente se convencionou tratá-la. Partindo do pressuposto que arte é a capacidade de desenvolver técnica e habilidade humana em prol do desenvolvimento do mundo e de si mesmo em busca da modificação na configuração, da autoralidade, da autonomia e liberdade de criação e experimentação, acredito acertar em dizer que há muitos artistas, que não são artistas. A nomenclatura ARTE ser exclusividade do músico, do poeta, do cineasta ou dançarino, é limitar o sentido do seu conceito que por sua vez, limita a liberdade de criação e da projeção dos seres que não desenvolvem suas habilidades artísticas por essas competências. Talvez uma verdadeira obra de arte, passa por essa resignificação.

Refletindo sobre a transformação que só uma verdadeira arte pode trazer, não seria exagero acreditar que todos os

Arte Impossível

homens tem a capacidade de ser um artista e o cenário para que essa capacidade se desenvolva passa por uma nova prática de exercicios cotidianos capazes de provocar a transformação do próprio cenário. Esse novo cenário está longe de remeter um mundo só com a presença de músicos, palhaços, dançarinos, cineastas e todos os segmentos ditos artísticos no universo reducionista que é aplicado hoje. E sim a aplicação cultural em cada modalidade exercida para o desenvolvimento em partes, de um todo, tendo o fazer artístico como linha transversal de todas as “modalidades” particulares que compõe o mundo. Essa aplicação da cultura, traria o peso de organizações coletivas em cada área, prontos para praticar suas habilidades artísticas, de modo autoral, pela construção de um cenário pautado nos mesmos princípios.

Encarar essa realidade como fantasia é abrir mão da sua liberdade de ser artista e consequentemente, de ser um humano em pleno desenvolvimento. Humano pleno. É quase abrir mão de ser um humano, deixando só espaço pra um objeto. Ser artista é poder modificar o sentido de tudo: trabalho, política, religião, estudo, vida. É a capacidade de se admitir no outro e perceber que não basta só si mesmo pra se transformar ou transformar o mundo.

Hoje, uma força propulsora desses exercícios simples e geniais (afinal como bem disse Einsten, “tudo deveria ser o

Mapa Fora do Eixo no Brasil

mais simples possível, porém não simplificado”) capazes de modificar um cenário e de promover a dialética entre o eu e o nosso, pode ser percebida na cultura independente, alternativa. Identificando-a numa realidade em que mais estou presente, essa força é alimentada pelo Circuito Fora do Eixo. Este, se faz um movimento dialético com abertura elástica o suficiente para modificar todas as vertentes passíveis de experimentação. Um movimento que pela própria origem tende a formar humanos em artistas sem diferenciação. A criação de varadouros entre o eu e o mundo externo provoca a prática de exercícios sistêmicos que propõe a liberdade criativa apontada para a necessidade que o todo precisa em cada contexto, promovendo ainda um ciclo de transmutação.

É nessa esfera que entramos todos os dias, desde o anoitecer ao amanhacer de um novo dia, desenvolvendo sempre o exercício de um novo hábito. Faz parte do nosso show, tornando o show a nossa própria vida…

Hasta!

;*

Tubo de ensaio

Desde novembro, durante o Encontro Fora do Eixo em São Paulo, no Fórum de Cultura Digital (realizado na bela cinemateca), que estou ensaiando pra postar aqui. Desde lá bons ventos me levaram a andanças muito positivas, por alguns lugares do Brasil. Lugares fantásticos pelas pessoas, paisagem, contexto e novas possibilidades. O Encontro no Fórum foi absurdamente estimulante. Fomos convidados de destaque, nos envolvemos em todas as plenárias e discussões acerca da cultura digital e seu amplo universo. Contactamos figuras essenciais pra manutenção e ampliação do Circuito Fora do Eixo como um todo. Cláudio Prado, o anfitrião, nos acolheu de modo ímpar, com um atendimento digno e condizente com todo o valor que tem a rede e cada um de seus coletivos pra cultura brasileira. Além do Fórum de cultura digital, uma imersão na casa da Lala Deheinzeli, grande referência da Economia criativa no Brasil que capitaneia o projeto crie futuros, já nos auxiliando a visualizar o Banco do Futuro do CFE. Lala se tornou uma grande parceira. Lala se tornou uma grande parceira e nos deixou muito à vontade em sua bela Casa de São Paulo. Aliás, vale muito destacar a casa dela: Uma cidadezinha cenográfica a base de muita reciclagem num conceito bem sustentável. Foda. Foi lá que fizemos a primeira reunião com o coletivo Amerê Beta (até então sem nome). Marcos, Taís e Dani já mostravam todo o entusiasmo em fazer parte da rede e se ingressarem nessa vida de muita labuta e feliz dos coletivos. rs

Além do Encontro Fora do Eixo em São Paulo, houve um segundo Encontro no Goiânia Noise. Muitos dos fora do eixo que estavam em sampa, foi direto pra Goiânia. Momentos que trouxeram uma aproximação maior dos coletivos envolvidos, provocando uma sintonia necessária entre as regionais Fora do Eixo (mesmo com a ausência da regional sul). O Eixo de sustentabilidade se reuniu várias vezes com a mulherada presente, ampliando e consolidando ainda mais o setor do Fora do Eixo Card. Reuniões do Fora do Eixo, aproximaram coletivos e membros novos, como o Araribóia (Niterói RJ) e a Dani que acabou se ingressando no Massa Coletiva (SP).

Depois do Goiânia Noise, a volta pra Hell City. Ajustar contas, pós produção do Festival Calango e a casa em geral, para a próxima circulação cubana: A II Feira música Brasil. Esta, realizada em Recife (PE) já uniu mais vários coletivos do Nordeste, além dos coletivos do FDE Centro-oeste e sudeste. Outro grande momento da nossa circulação pelo Brasil. Momento histórico pra constituição e solidificação da Feira Música Brasil, valorizando o CFE como um dos movimentos de maior musculatura na cultura nacional. A experiência política trocada com o Fórum nacional da música foi bem proveitosa. Macaco Bong fez um show espetacular. Reuniões quentes da ABRAFIN e programáticas / sintomáticas do Circuito Fora do Eixo causaram mais um grande avanço nas atividades da rede pra 2010. Muitas oportunidades de organização, trocas, afinidades processuais e pessoais foram sabiamente utilizadas através do inconsciente coletivo do CFE. Mais um momento intenso de trocas e aprendizado.

Continuando a viagem nesse trem (ônibus, avião, carro…), da Feira, segui solitariamente para Brasília, afim de antecipar trâmites burocráticos do Calango no MINC e iniciar minha temporada trabalho/familia, na casa de minha irmã. Mais um momento muito gostoso, onde descanso, trabalho e papos na madrugada se encontram harmonicamente. De Brasília, direto pra Rio Verde, minha cidade natal. Em Rio Verde, os olhos voltados para uma possível articulação para mais um ponto fora do eixo se estabelecer no FDE Goiás, dessa vez, me revelaram uma boa surpresa: um bar rock alternativo (Stone rock) foi aberto recentemente e já vem movimentando a cena local, aliás, até o policiamento local o bar vem movimentando em proporções absurdas, como toda cidade que ainda enfrenta o provincianismo cristalizado. rs (confiram o vídeo). Rio Verde tem uma cena de metal forte, com bandas autorais, um festival (das abóboras – apelido carinhoso da cidade rs), mas ainda na vibe xiita, como toda cena de metal principiante que se preze. rs. Pessoas daqui e dali interessadas em fazer a coisa acontecer de alguma maneira, mostraram ser um caminho mais próximo do que antes, sem dúvida. Nessa, alguns contatos despretensiosos já devem garantir algumas surpresas em breve, que conto depois. Enfim. Descobri novos sobrinhos (lindos) e com certeza curti muito minha família e amigas de infância que já não via há alguns anos. Tudo em paz, como haveria de ser…

Depois da cidade natal, já fui cumprir o programa do Cubo para o fim de ano que estabelecemos em Recife: Mari e Pablo pelo Nordeste e eu pelo Sudeste, no Coletivo Goma. Talles e eu planejamos o reveillon FDE Minas que logo se transformou no FDE Sudeste. Afinal, tava muito na mão! Definimos a linha estratégica da Imersão de final de ano junto aos coletivos mineiros e paulistas. No caso, o Massa Coletiva. A Virada em si foi produzida na casa cultura GOMA com direito a champagne e farofa de banana (que amo. rs). O Caixinha coletivo rendeu e os cards mão de obra investidos na cozinha valeram demais a pena. Tem muita cozinheira boa na rede. rs. A maioria chegou no dia 29 e a partir daí, já definimos os trabalhos em grupos organizados ora por setor nacional, ora por eixo nacional, ora por coletivo, ora por coordenações. Muito dinâmico, produtivo e sintomático. Dinâmicas pessoais, projetos por coletivos e integrados reestruturados e ampliados em um rearranjo fundamental pro contexto vivido. Resultados muito satisfatórios como a criação do fundo estadual de minas e regional sudeste, além do programa FDE Minas 2010 com seu núcleo durável estabelecido, programa para os coletivos, oficinas piloto de circulação em festivais mineiros e rotas para as bandas do GR sudeste, demonstraram mais uma vez como a força coletiva pode antecipar e injetar por muito tempo, uma grande dosagem de estímulo. A virada FDE Sudeste rendeu até Tarô e programa de família, com diversas crianças interagindo no processo. Já falei pra montarem um coletivo infantil, quem sabe o Praticutucá de Udia. rs

Enfim, Circulação sempre boa pra dar uma reoxigenada no cérebro e o coração, e manter a sábia dialética da razão e sensibilidade, pra deixar a saudade suficiente de “casa” e voltar com gás todo pro fortalecimento da nossa Cena local/estadual/regional. Nossa querida Hell City já pronta pra reerguer a Casa Fora do Eixo. É isso aí. Como uma fênix, a CAFE vai voltar com tudo esse ano. E essa é só mais uma grande novidade do nosso tubo de ensaio, pronta pra explodir esse ano. Aguardem!

beijos

calango 1O Festival Calango por si só é sempre uma surpresa. Isso porque há 7 anos ele traz novas situações das quais ainda não enfrentamos para experimentar, como todo laboratório que se preze deve ser. Considero ele ainda um vulcão que durante os dias “D´s” entra em erupção. Isso porque o trabalho dele é movimentado indiretamente e diretamente o ano todo, considerando que sua celebração é reflexo em uma vitrine, de toda a construção da cena cultural independente de Cuiabá e nacional, pelo Circuito fora do Eixo, que trabalhamos organicamente o tempo todo. O Calango teve a missão de fazer um “compacto.mostra” de todas as formas adquiridas nesse processo em rede, em arranjos criativos culturais.

Em 2009 o Festival Calango enxuga um pouco suas ações, mas mostra uma cena madura, colaborativa ebanda concentrada nessa ação que integra todos os agentes da cadeia produtiva cultural através da moeda solidária mais abundante que temos de exemplo hoje: a força de trabalho e dedicação daqueles que buscam fortalecer sua própria autoria e autonomia frente à realidade social que estamos inseridos. Além da equipe durável do Espaço cubo, os membros dos coletivos e empresas parceiras do Festival estão cada vez mais maduras e em sintonia com o método solidário do Espaço Cubo.

Em 2009 também inovamos com a ocupação de duas arenas distintas em um mesmo Festival, até então ainda não praticado. O último dia ser celebrado em Praça aberta, mudando o clima de “negócio” para “política” formou a junção perfeita do que constitui a filosofia solidária do processo em que o Espaço Cubo vem desenvolvendo há 7 anos. Um mercado alternativo com uma política cultural alternativa, independente do mercado e política vigentes. A Praça das bandeiras ainda compôs o cenário perfeito para essa diversidade complementar do Calango que também ficou muito evidente esse ano, através da programação musical. A bandeiras foi uma surpresa pra mim que nunca tinha estado nesta praça até ela ser escolhida para o Festival.

praça bandeirasA presença maciça dos coletivos do Circuito fora do eixo, produtores, jornalistas, bandas, artistas e agentes culturais em geral, contribuiu mais uma vez para que nos esforçássemos para obter uma boa política de atendimento, atendendo cerca de 200 convidados nacionais (186 mais precisamente). Esse ano, o coletivo Goma, o Massa Coletiva e Coletivo Catraia compuseram a equipe de modo mais orgânico auxiliando na produção executiva, atendimento, eventos, sonorização e comunicação. Experiência cada vez mais rica a cada festival.

A feirinha do calango, o Mercado Mix, já com a cultura da moeda social impregnada, esse ano deu mais alguns passos, obtendo o lastro somente calcado na própria moeda com diversos feirantes e expositores que optaram pela cota Diamante, ou seja, sem a necessidade de utilizar um lastro em real (R$) para pagar o que foi consumido em moeda social na arena. Outro aspecto muito bom foi ver que o goma card circulou “a rolê” pela arena, ampliando a circulação de moedas sociais do circuito no mercado de Hell City.

2009 foi um ano em que o Calango realmente teve que mostrar quase que o seu método “intuitivo” de ser executadosomero_calango uma vez que o tempo para se concentrar exclusivamente em seu planejamento e produção foi curto, comparado às outras edições. E mesmo assim ele se dividiu com o nosso trabalho nas conferencias municipais do estado de mato-grosso que tinha o mesmo prazo final para acontecer. Mais uma vez nos superamos e isso é muito gostoso. Acreditar em toda a experiência, vontade, disposição e abertura para o novo sempre, traz uma confiança quase que matemática de que o nosso limite pode sempre ser ampliado e transmutado.

Me perguntaram várias vezes no último dia se eu estava com a sensação de missão cumprida… hoje posso responder que a sensação é a do cumprimento de criar mais um varadouro que nos leva a uma nova transmutação. Muito obrigada a todo mundo que fez e faz parte dessa cinergia. Até os próximos…

beijos

Metamorfose

cofe 2O II Congresso Fora do Eixo acabou de ter seu fim em Rio Branco, no Acre, junto ao Festival Varadouro realizado pelo Coletivo Catraia e como eu já havia anunciado, ele cumpriu o que prometeu, talvez até mais… Esperávamos 60 congressistas pelo fato de Rio Branco ainda ter um problema de custo alto nas passagens, porém, 80 congressistas participaram da ação e certamente o investimento valeu muito a pena. Aumentando a quantidade de 10 pessoas, do I Congresso, o II Congresso superou as expectativas em todos os aspectos. Inesquecível.

A palavra que melhor define tudo o que aconteceu ali é Metamorfosemudança de forma a que estão sujeitos; transformação. A presença de cerca de 30 coletivos (integrados e não integrados) e dos consultores dentro de uma metodologia horizontal e intimista foi perfeita para manter a coerência e a troca de conhecimentos e princípios essenciais para os novos passos do Circuito. Não foi à toa que a Carta de princípios saiu dali, numa atitude de clareza e conhecimento profundo dos valores, premissas e diretrizes essenciais que conduz o nosso Movimento. A estrutura fechada e aberta é tão clara que culturalmente todos ali absorveram de uma maneira ou de outra, esses princípios horizontais e pontos comuns de comportamento que devem reger nossas atitudes e o ambiente favoreceu para que todos se apropriassem desse modo cultural de se estabelecer no espaço dedicado ao Circuito Fora do Eixo. Até mesmo nas horas de “entretenimento” cabia a filosofia do processo. O Congresso foi um momento único de encontrar o indivíduo com o coletivo em uma única esfera e do encontro definitivo com a pílula vermelha… (Matrix)

06 dias intensivos num processo de imersão “paulêra” com orientações, consultorias, trocas e produção intensascofe 2 2 deram um resultado que certamente superou as expectativas dos mais otimistas e constribuiram para uma grande injeção de estímulo para até o próximo encontro presencial dos coletivos da rede que acontecerá no Festival fora do Eixo em são paulo (2010). De fato o inconsciente coletivo mostra a força motriz que conseguimos gerar até hoje e o quanto ainda está por vir. Além da carta de princípios, o regimento interno, o planejamento anual do Circuito 2009/2010 e as diretrizes do CFE para a conferência nacional de cultura foram resultados extraídos do Congresso. O primeiro laboratório da web tv ao vivo também se deu lá com a equipe de comunicação da rede que agora se expande para o segmento audiovisual fora do eixo.

varadouroAs trocas diretas e indiretas, a aproximação com a gestão pública cultural do acre impecável (gerida por Daniel Zen e Karla do coletivo catraia) e com o misticismo lado a lado do racionalismo promoveram uma experiência grandiosa pessoal e coletiva a todos os participantes da ação. Tudo isso deixa a experiência quase “inarrável”, mas tô tentando fazer um esforço por aqui. rs. Além do Congresso, a possibilidade de envolvimento com mais um Festival Varadouro muito mais maduro e conceitual “floresta” nos permite aquela sensação de “estamos no caminho certo”, cada vez mais… e não há nada que possa nos parar. É o estado de espírito coletivo que nos mantém e que nos impulsiona a avançar sempre mais. Paro por aqui porque o cansaço não me permite mais!

É nóis!

Da cultura nacional

leRecentemente eu e mari viajamos à Brasília para a oficina de capacitação dos facilitadores nacionais da II Conferência Nacional de Cultura, realizada pelo MINC (Ministério da Cultura). Indicados pelo próprio MINC, o Espaço cubo assume o papel de facilitador do Estado de Mato-Grosso e nacional atuando com o Circuito Fora do Eixo. Entre 19 e 21, ficamos hospedadas no Hotel San Marco, local onde também se realizou a oficina. Diante de diversos agentes culturais governamentais e da sociedade civil, a experiência foi muito proveitosa, alinhando ainda mais os métodos e anseios que diversos grupos culturais têm pelo Brasil.

O Circuito Fora do Eixo foi muito bem recebido pelos representantes das regionais do MINC e grupos ali representados por seus facilitadores, além do próprio MINC, através do Fred (secretaria de articulação institucional do ministério) que já havia se entusiasmado muito com a rede. Certamente, teremos um papel fundamental nessa articulação nacional em prol de mais uma atividade histórica da cultura brasileira.

A primeira Conferência nacional se deu em 2005 e o Cubo já esteve presente assumindo papéis de delegados e marirelatores nacionais, estimulando proposições condizentes com a relalidade do cenário cultural independente em seus mais variados aspectos da cadeia produtiva como a comunicação, música, audiovisual, economia da cultura, formação e etc. Este ano, assumimos o papel de mobilizar a comunidade cultural em prol de estratégias efetivas para constituir no Plano nacional de cultura do país. Certamente mais uma experiência engrandecedora para o objetivo maior dessa causa.

Além da II CNC, o envolvimento do Instituto com a produção do II Congresso fora do Eixo é cada vez mais intenso, visto que faltam cerca de 15 dias pra sua realização. Adotando um formato de formação completa, com consultorias para as ações institucionais e para os coletivos da rede, além das plenárias para as discussões e deliberação de propostas a serem executadas em 2010, o Congresso ainda traz um contexto diferenciado, sendo que desde a sua primeira edição, mais de 30 coletivos ingressaram no Movimento e participam diretamente do seu desenvolvimento. Outra contexto bem cofe 2interessante é o fato de acontecer junto ao Festival Varadouro, em Rio Branco, através do Coletivo Catraia – grande principiador de toda a história do Circuito fora do Eixo. Além disso, o Estado de Rio Branco além de ser a “cara” do que representa estar fora do eixo, vivendo um “isolamento” histórico do “progresso” no país, é um dos Estados mais desenvolvidos no processo de política cultural e de movimentos sociais históricos do país. Marina Silva e Chico mendes são dois grandes nomes que representam tudo isso. No espírito da Floresta Amazônica, Movimentos sociais e princípios coletivos, o II Congresso Fora do Eixo promete ser uma grande experiência para a cultura nacional independente.

E cá de Hell City pro Brasil, o projeto Música do Mato realiza sua primeira turnê. Mal saiu do forno e já atravessa boa mmatoparte das regiões brasileiras contando com uma diversidade de músicos que vão desde o instrumental “erudito” de Ebinho cardoso ao instrumental rock do Macaco Bong, passando pela MPB do Monarco, Rap do linha Dura e eletrônico com o Dj Farinha. Um grupo completo, compacto e viável para qualquer evento independente e alternativo. É nesse estilo COMPACTO.TUR fora do eixo que o Música do Mato segue sua trajetória, passando por Goiás, Minas, Nordeste e outros estados brasileiros representantes dos coletivos da rede. Acompanhem mais pelo Blog.

A Rede Música Brasil é outro processo nacional do qual o Espaço Cubo vem trabalhando fortemente, junto aos mais variados grupos e instituições musicais e culturais do Brasil. Após a realização da I Conferência nacional da música na Feira da Música de fortaleza, a lista da Rede Música brasil tá bombando e certamente essa articulação vai interferir sensivelmente nas próximas construções da política cultural do país. Mas isso é discussão pra mais vários post´s…

Como não poderia deixar de ser, o panorama nacional está cada vez mais satisfatório para os princípios norteados pela cultura independente e alternativa, uma vez que os coletivos “fazedores” dessa cultura ocupam mais espaços e  trocam mais intensamente conhecimentos, tecnologias e paixão por esse imenso laboratório de transformações sociais…

Bons tempos os ventos trazem! Nos vemos lá.

beijos

Semestre Intensivo

logo circuitoO segundo semestre já chegou e agora começa o intensivão de Festivais, transmissões de rádio ao vivo, intercâmbio de produtores, bandas, comunicadores, professores e simpatizantes culturais em geral, seminários, gravação de documentários e programas de tv, feiras solidárias, palestras, congressos, fechamento de parcerias, turnês … momento chave para ampliação de todas as tecnologias desenvolvidas pela rede do Circuito Fora do Eixo e dos coletivos culturais que a compõe.

O semestre já começou com os trabalhos para o Congresso Fora do Eixo que será realizado durante o Festival Varadouro, em Rio Branco (AC), entre os dias 21 e 26 de setembro. Momento em que todos os coletivos devem viver um processo de imersão presencial com consultoria técnica de profissionais importantes pra cadeia produtiva da cultura. Carreira artística, inovação tecnológica, empreendedorismo coletivo, mercado cultural, economia criativa e solidária são os eixos centrais a serem desenvolvidos junto às ações sistêmicas da rede, as frentes gestoras que norteiam as ações do movimento Fora do Eixo. Agora é a fase do “pedreiro” entrar em ação. Decupagem, viabilidade e produção do congresso para daqui há um mês. E nóis.

obsEm agosto foi realizado o 1º Observatório Fora do Eixo que ao contrário do Congresso, desenvolve um processo de imersão Virtual ( e não presencial) dirigido às frentes gestoras da rede, durante uma semana. A primeira edição trouxe como tema principal a Economia solidária e suas principais características. O evento utilizou a transmissão ao vivo via web rádio como plataforma central do debate, além de uma sala de chat do freenode exclusiva para as interações onlines. Sistema 100% livre. Cerca de 200 pessoas frequentaram o evento durante a semana e a rádio chegou a picos de 63 ouvintes. A mobilização de cerca de 30 pessoas dos coletivos da rede e 30 de público geral por dia, com a participação de nomes como o de pena shimidt, fabrício nobre, mvbill entre outros; o detalhamento e a explanação de cada dúvida gerada,  trouxeram um resultado extremamente positivo e a construção do Fora do Eixo Card tornou-se ainda mais ampla e visualizada. A tendência é que haja 1 bservatório por mês de cada tema referente às demandas da rede. Não vejo a hora do próximo! (Só temo que tenha que ser pós Congresso. rs)

Lançada mais uma moeda na rede: Patativa é o piloto da moeda solidária da REDECEM no Ceará que será posta em circulação na Feira da Música, realizada pela Prodisc. Os convidados já terão o privilégio de utilizar a patativa em alguns locais convenidos como casa de shows e bares de Fortaleza. A iniciativa inaugura a quarta moeda complementar da cultura fora do eixo. Muito estimulante!

E por falar em moeda complementar, o PIMB (plano de implementação de bancos populares e moedas complementares do CFE / Cubo), ataca agora em Brasília, na Ceilândia (local inclusive que macaco bong acabou de passar). A idéia é lançar um banco popular da ceilândia com coletivos de hip hop e culturais diversos em torno do bairro. Marcus Franchi (MCT) que trouxe os arranjos produtivos locais para o CFE, agora se propõe a implemetação do banco nos coletivos de Brasília em parceria com o Cubo e o CFE. Marcel Arêde do coletivo Serasgum no Pará também já nos buscou para o desenvolvimento do PIMB PA. E a rede solidária só tende a aumentar.

Como se não bastasse, Calangão tá chegando e sua pré produção cada vez mais intensiva. Além das visitas para o fechamento de parceiros, via cubo card, calango na escola e prévias do calango já contam com o processo de formatação e decupagem de sua programação pra que tudo aconteça da melhor maneira possível. Além do fechamento das escolas que se encerrou semana passada, os locais de realização do Festival também devem ser selados em breve, avançando para o desenvolvimento das plantas e da burocracia necessária para a realização do Festival.

A II Conferência nacional de cultura também está dando o start em agosto e o Cubo estará representando o Estado de Mato-Grosso na condição de facilitador do processo por aqui. Uma preparação será desenvolvida em dois dias em Brasília, daqui há alguns dias.

Para terminar, a caixinha de clipes sempre guardando o movimento cotidiano pró trabalho livre e sustentável como balanços financeiros, administração de dívidas, contratos, planilha de contatos, atualização de blog´s setoriais, orçamentos, acertos e pagamentos, elaboração de projetos, balanços cubo card, reuniões, atas, planilhas financeiras, decupagens de projetos, planos de trabalho, filmes, livros e etc, etc, etc.

Depois volto.

beijos.

Encontros e Desencontros

Plagiando Sophia Coppola, ultimos dias de encontros e desencontros. Filmes, leituras, vivências antigas e novas vivências que se entrelaçam no cotidiano da cultura independente provocando o exercício de saber que pelo o encontro vale a pena o desencontro, seguindo com os que estão na mesma sintonia.

O tempo parace ser sempre o mistério coroado de coringa pra definição de marcos e acontecimentos, de mudanças e movimento em qualquer direção. O tempo que não pára, não volta, não se antecede. A não ser que sejamos o dono do nosso tempo.

Ultimamente os coletivos vivem projetos de imersão como método para se organizarem e otimizar o tempo, refletindo e executando juntos, as ações coletivas. O Massa Coletiva de São Carlos, lançou a primeira conferência Massa, voltada para o próprio grupo. Em seguida o Goma de uberlândia, lança a 1º Imersão, sistematizando as necessidades do coletivo e o Lumo, de pernambuco vive o Primeiro Internatolumo focado na lumoeda e elaboração de projetos. Uma espécie de “incubadora” temporária pra gerar novos resultados, mais ágeis. Bacaníssimo.

Por aqui vamos nos mantendo encubados as atividades cotidianas do Cubo: Misc, cubo sonorização, cubo comunicação, negocios ao cubo, cubo discos, cubo eventos, cubo vídeo, cubo pesquisa, cubo card, calango, grito rock, mic, circuito fora do eixo, volume, imprensa de zine, próxima cena, body art, hell city, música do mato, governança integrada e etc etc etc.

O laboratório não para.

Vontade de ir no cinema.

beijos.

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