Há tempos não escrevo aqui. Também já faz um tempinho que estou ensaiando. Esses dias andam turbulentos e excitantes, no tempo exato de proposição do equilíbrio entre o eu e o nosso. O hábito vai tornando uma realidade, também verdade. E é disso que se trata. Ando conversando frequentemente sobre a importância dos exercícios, pra que as teorias se modifiquem conforme a prática, garantindo a impressão autoral de cada indivíduo que se propõe a participar dessa obra.
Não menos artistas, os pedreiros exercitam todas as maneiras de se criar novos caminhos, novas ferramentas, novas configurações. A cultura, o pensar e o fazer cultural, insere os engenheiros, os pedreiros, os arquitetos, os políticos, os músicos, os médicos, na mesma condição de artistas, desde que haja a criação da sua própria obra de vida. Imaginar o que seria essa criação não é tão simples. E ao mesmo tempo, sempre possível, passível de transformação.
A Arte para os povos primitivos, se funde à religião e à ciência na figura de Xamã que era um poeta, escritor, médico e sacerdote. Em seus primórdios gregos, é a capacidade técnica pro desenvolvimento de habilidades humanas, desde o trabalho de um sapateiro até a de um músico. Do pedreiro ao músico, todos desenvolvem habilidades técnicas que pressupõe um exercício para o desenvolvimento humano e para a construção de sua própria visão de mundo. No sentido moderno, arte se enquadra como atividade artística ou produto de uma atividade artística.
Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura), e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem. Diante disso, acredito que a arte está muito além do que usualmente se convencionou tratá-la. Partindo do pressuposto que arte é a capacidade de desenvolver técnica e habilidade humana em prol do desenvolvimento do mundo e de si mesmo em busca da modificação na configuração, da autoralidade, da autonomia e liberdade de criação e experimentação, acredito acertar em dizer que há muitos artistas, que não são artistas. A nomenclatura ARTE ser exclusividade do músico, do poeta, do cineasta ou dançarino, é limitar o sentido do seu conceito que por sua vez, limita a liberdade de criação e da projeção dos seres que não desenvolvem suas habilidades artísticas por essas competências. Talvez uma verdadeira obra de arte, passa por essa resignificação.
Refletindo sobre a transformação que só uma verdadeira arte pode trazer, não seria exagero acreditar que todos os
homens tem a capacidade de ser um artista e o cenário para que essa capacidade se desenvolva passa por uma nova prática de exercicios cotidianos capazes de provocar a transformação do próprio cenário. Esse novo cenário está longe de remeter um mundo só com a presença de músicos, palhaços, dançarinos, cineastas e todos os segmentos ditos artísticos no universo reducionista que é aplicado hoje. E sim a aplicação cultural em cada modalidade exercida para o desenvolvimento em partes, de um todo, tendo o fazer artístico como linha transversal de todas as “modalidades” particulares que compõe o mundo. Essa aplicação da cultura, traria o peso de organizações coletivas em cada área, prontos para praticar suas habilidades artísticas, de modo autoral, pela construção de um cenário pautado nos mesmos princípios.
Encarar essa realidade como fantasia é abrir mão da sua liberdade de ser artista e consequentemente, de ser um humano em pleno desenvolvimento. Humano pleno. É quase abrir mão de ser um humano, deixando só espaço pra um objeto. Ser artista é poder modificar o sentido de tudo: trabalho, política, religião, estudo, vida. É a capacidade de se admitir no outro e perceber que não basta só si mesmo pra se transformar ou transformar o mundo.
Hoje, uma força propulsora desses exercícios simples e geniais (afinal como bem disse Einsten, “tudo deveria ser o
mais simples possível, porém não simplificado”) capazes de modificar um cenário e de promover a dialética entre o eu e o nosso, pode ser percebida na cultura independente, alternativa. Identificando-a numa realidade em que mais estou presente, essa força é alimentada pelo Circuito Fora do Eixo. Este, se faz um movimento dialético com abertura elástica o suficiente para modificar todas as vertentes passíveis de experimentação. Um movimento que pela própria origem tende a formar humanos em artistas sem diferenciação. A criação de varadouros entre o eu e o mundo externo provoca a prática de exercícios sistêmicos que propõe a liberdade criativa apontada para a necessidade que o todo precisa em cada contexto, promovendo ainda um ciclo de transmutação.
É nessa esfera que entramos todos os dias, desde o anoitecer ao amanhacer de um novo dia, desenvolvendo sempre o exercício de um novo hábito. Faz parte do nosso show, tornando o show a nossa própria vida…
Hasta!
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O Festival Calango por si só é sempre uma surpresa. Isso porque há 7 anos ele traz novas situações das quais ainda não enfrentamos para experimentar, como todo laboratório que se preze deve ser. Considero ele ainda um vulcão que durante os dias “D´s” entra em erupção. Isso porque o trabalho dele é movimentado indiretamente e diretamente o ano todo, considerando que sua celebração é reflexo em uma vitrine, de toda a construção da cena cultural independente de Cuiabá e nacional, pelo Circuito fora do Eixo, que trabalhamos organicamente o tempo todo. O Calango teve a missão de fazer um “compacto.mostra” de todas as formas adquiridas nesse processo em rede, em arranjos criativos culturais.
concentrada nessa ação que integra todos os agentes da cadeia produtiva cultural através da moeda solidária mais abundante que temos de exemplo hoje: a força de trabalho e dedicação daqueles que buscam fortalecer sua própria autoria e autonomia frente à realidade social que estamos inseridos. Além da equipe durável do Espaço cubo, os membros dos coletivos e empresas parceiras do Festival estão cada vez mais maduras e em sintonia com o método solidário do Espaço Cubo.
A presença maciça dos coletivos do Circuito fora do eixo, produtores, jornalistas, bandas, artistas e agentes culturais em geral, contribuiu mais uma vez para que nos esforçássemos para obter uma boa política de atendimento, atendendo cerca de 200 convidados nacionais (186 mais precisamente). Esse ano, o coletivo Goma, o Massa Coletiva e Coletivo Catraia compuseram a equipe de modo mais orgânico auxiliando na produção executiva, atendimento, eventos, sonorização e comunicação. Experiência cada vez mais rica a cada festival.
uma vez que o tempo para se concentrar exclusivamente em seu planejamento e produção foi curto, comparado às outras edições. E mesmo assim ele se dividiu com o nosso trabalho nas conferencias municipais do estado de mato-grosso que tinha o mesmo prazo final para acontecer. Mais uma vez nos superamos e isso é muito gostoso. Acreditar em toda a experiência, vontade, disposição e abertura para o novo sempre, traz uma confiança quase que matemática de que o nosso limite pode sempre ser ampliado e transmutado.
O II Congresso Fora do Eixo acabou de ter seu fim em Rio Branco, no Acre, junto ao Festival Varadouro realizado pelo Coletivo Catraia e como eu já havia anunciado, ele cumpriu o que prometeu, talvez até mais… Esperávamos 60 congressistas pelo fato de Rio Branco ainda ter um problema de custo alto nas passagens, porém, 80 congressistas participaram da ação e certamente o investimento valeu muito a pena. Aumentando a quantidade de 10 pessoas, do I Congresso, o II Congresso superou as expectativas em todos os aspectos. Inesquecível.
deram um resultado que certamente superou as expectativas dos mais otimistas e constribuiram para uma grande injeção de estímulo para até o próximo encontro presencial dos coletivos da rede que acontecerá no Festival fora do Eixo em são paulo (2010). De fato o inconsciente coletivo mostra a força motriz que conseguimos gerar até hoje e o quanto ainda está por vir. Além da carta de princípios, o regimento interno, o planejamento anual do Circuito 2009/2010 e as diretrizes do CFE para a conferência nacional de cultura foram resultados extraídos do Congresso. O primeiro laboratório da web tv ao vivo também se deu lá com a equipe de comunicação da rede que agora se expande para o segmento audiovisual fora do eixo.
As trocas diretas e indiretas, a aproximação com a gestão pública cultural do acre impecável (gerida por Daniel Zen e Karla do coletivo catraia) e com o misticismo lado a lado do racionalismo promoveram uma experiência grandiosa pessoal e coletiva a todos os participantes da ação. Tudo isso deixa a experiência quase “inarrável”, mas tô tentando fazer um esforço por aqui. rs. Além do Congresso, a possibilidade de envolvimento com mais um Festival Varadouro muito mais maduro e conceitual “floresta” nos permite aquela sensação de “estamos no caminho certo”, cada vez mais… e não há nada que possa nos parar. É o estado de espírito coletivo que nos mantém e que nos impulsiona a avançar sempre mais. Paro por aqui porque o cansaço não me permite mais!
Recentemente eu e mari viajamos à Brasília para a oficina de capacitação dos facilitadores nacionais da II Conferência Nacional de Cultura, realizada pelo MINC (Ministério da Cultura). Indicados pelo próprio MINC, o Espaço cubo assume o papel de facilitador do Estado de Mato-Grosso e nacional atuando com o Circuito Fora do Eixo. Entre 19 e 21, ficamos hospedadas no Hotel San Marco, local onde também se realizou a oficina. Diante de diversos agentes culturais governamentais e da sociedade civil, a experiência foi muito proveitosa, alinhando ainda mais os métodos e anseios que diversos grupos culturais têm pelo Brasil.
relatores nacionais, estimulando proposições condizentes com a relalidade do cenário cultural independente em seus mais variados aspectos da cadeia produtiva como a comunicação, música, audiovisual, economia da cultura, formação e etc. Este ano, assumimos o papel de mobilizar a comunidade cultural em prol de estratégias efetivas para constituir no Plano nacional de cultura do país. Certamente mais uma experiência engrandecedora para o objetivo maior dessa causa.
interessante é o fato de acontecer junto ao Festival Varadouro, em Rio Branco, através do Coletivo Catraia – grande principiador de toda a história do Circuito fora do Eixo. Além disso, o Estado de Rio Branco além de ser a “cara” do que representa estar fora do eixo, vivendo um “isolamento” histórico do “progresso” no país, é um dos Estados mais desenvolvidos no processo de política cultural e de movimentos sociais históricos do país. Marina Silva e Chico mendes são dois grandes nomes que representam tudo isso. No espírito da Floresta Amazônica, Movimentos sociais e princípios coletivos, o II Congresso Fora do Eixo promete ser uma grande experiência para a cultura nacional independente.
parte das regiões brasileiras contando com uma diversidade de músicos que vão desde o instrumental “erudito” de Ebinho cardoso ao instrumental rock do Macaco Bong, passando pela MPB do Monarco, Rap do linha Dura e eletrônico com o Dj Farinha. Um grupo completo, compacto e viável para qualquer evento independente e alternativo. É nesse estilo COMPACTO.TUR fora do eixo que o Música do Mato segue sua trajetória, passando por Goiás, Minas, Nordeste e outros estados brasileiros representantes dos coletivos da rede. Acompanhem mais pelo
Em agosto foi realizado o 1º Observatório Fora do Eixo que ao contrário do Congresso, desenvolve um processo de imersão Virtual ( e não presencial) dirigido às frentes gestoras da rede, durante uma semana. A primeira edição trouxe como tema principal a Economia solidária e suas principais características. O evento utilizou a transmissão ao vivo via web rádio como plataforma central do debate, além de uma sala de chat do freenode exclusiva para as interações onlines. Sistema 100% livre. Cerca de 200 pessoas frequentaram o evento durante a semana e a rádio chegou a picos de 63 ouvintes. A mobilização de cerca de 30 pessoas dos coletivos da rede e 30 de público geral por dia, com a participação de nomes como o de pena shimidt, fabrício nobre, mvbill entre outros; o detalhamento e a explanação de cada dúvida gerada, trouxeram um resultado extremamente positivo e a construção do Fora do Eixo Card tornou-se ainda mais ampla e visualizada. A tendência é que haja 1 bservatório por mês de cada tema referente às demandas da rede. Não vejo a hora do próximo! (Só temo que tenha que ser pós Congresso. rs)

