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Encruzilhadas

Em alguns momentos da vida parece inevitável as encruzilhadas. Momentos em que tantos caminhos se cruzam pra confundir a trajetória que você escolheu. A possibilidade de ter diversos caminhos complementares, porém diferentes é muito estimulante. Mas o contrário, com a possibilidade de diversos caminhos antagônicos que conduzem pra uma autofagia, é assustador. O que fazer então quando se tem uma situação em que “se correr o bicho pega e se ficar o bicho come”? O ideal é não desistir. Saia andando, mate o bicho ou convença-o a não te devorar. Por mais que todas as possibilidades pareçam improváveis de sucesso, são melhores do que nada. Estatisticamente, ter opções é sempre garantir maior probabilidade de sucesso do que não ter nenhuma. Então, é melhor ir nessa…

As encruzilhadas nos fazem sempre perceber algo muito importante: O poder que a vida tem de nos testar com grandes desafios. E as possibilidades que estão sempre nas entrelinhas, pra que possamos crescer. De qualquer maneira, somos nós mesmos que nos conduzimos até as encruzilhadas. São nossas escolhas somada as escolhas de outros e a todas as possibilidades da vida que nos colocam numa situação tão delicada quanto emergencial. E então é chegada a hora de praticar a dose exata entre a paciência e ansiedade, o ódio e o amor, o medo e a coragem. É preciso encontrar espaços e princípios que atendam à você e a natureza que o cerca. E saber o poder de condução nas entrelinhas. Nem todos estão prontos pra ceder fazendo uso só da consciência. Não dá pra fugir das encruzilhadas. É preciso saber agir e estar pronto pra seguir, seja em qual dos caminhos for.

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Valores Fora do Eixo

http://foradoeixo.org.br/valores

É bonito. Aceitar críticas requer consciência. Transformá-las em sua própria, requer vontade e coragem. Dois elementos imprescindíveis pra mudança. O Reconhecimento do próprio Erro na mesma proporção do erro alheio nos tornam dignos do próximo passo. E ao contrário, não. É preciso preparo pra seguir adiante, sem colocar em risco o crescimento dos que estão a caminho. Não se trata mais só de você. E nunca se tratou. Quem é você além do outro?

Hoje aprendi uma lição que eu pensava já ter aprendido: Valores não se “guardam na gaveta”. Não se deixa “pra depois”. E os valores que se escolhem devem ser o que se faz em todos os pequenos momentos da vida. Valores são o motivo de se estar no caminho. São a causa e a consequência. São princípios que conduzem o comportamento humano e a construção de qualquer história.

Hoje me senti traída por mim mesma. Irresponsável por uma atitude que desconsiderou a lealdade, valor que tanto prezo. Me descuidei, por alguns minutos. O suficiente pra me deixar sem chão e de fato, tão pequena… sentindo raiva da própria burrice, o arrependimento,  a lamentação… mas sentir pena de si mesmo não lhe dá direito à resolução. É preciso olhar a ferida, sentir os seus males e ter o entendimento completo do organismo que lhe mantém vivo. E o quanto se quer viver. O que se deve fazer. E continuar seguindo com a certeza de que o próximo passo não traz novas trevas de novo. Não pelas suas mãos. Não pelas suas dúvidas. Não pelo risco que se cria, sem querer.

É preciso ter propósito pra se ter valores. E valores, pra ser livre. Enfim.

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Copa, Eleições, Brasil

2010 começa marcado por ser um ano de grandes expectativas. No mundo do esporte e em especial pro Brasil, vencer uma Copa do Mundo, tornaria tudo mais “fácil”, mais leve, com aquela sensação de satisfação por um bom tempo. E a vitória é plenamente boa pra todos os brasileiros. Sem divisões. Inegável o poder de fogo do futebol frente a cultura, política, economia, saúde e sociedade em geral, brasileira. Eu mesma que nunca fui fã de futebol, durante a Copa, não tinha jeito. É impressionante! Você vibra, sente, chora e aprecia mesmo sendo “desconhecido”, comedido. Mas essa Copa teve um sabor especial: Foi nela que decidi me deixar levar pela fábula, a história, a cultura do Futebol. Começando o descondicionamento do “não gostar”, pela falta de vivência orgânica e pela ignorância do tema. “Futebol aliena seu povo” era o mais próximo que tinha de opinião e era o suficiente pra ter pre conceito. Até o “futebol é coisa pra homem” me influenciou, indiretamente. Mas afinal, tudo que é vivido organicamente e portanto com mais sensações e conhecimento, faz muito mais sentido. E a Copa deixa isso claro no mundo do Futebol.

A política, que esse ano fica mais latente por conta das Eleições, é outro momento em que o Brasil se faz atento, ansioso, mas ao contrário da Copa, o resultado final nunca vai satisfazer plenamente o país todo, ou o contrário. É um momento de divisões internas, claras e definidas. Um só território que onde quem perde, continua sendo o Brasil, ou parte dele. Assim como quem ganha. E mesmo considerando grande parte de alienados, tá tudo bem delineado. Um lado vai ser o vencedor. E o Brasil vai sempre ganhar e perder. As vezes, perde-se com quem ganha e ganha-se com quem perde. Mas a democracia representativa sempre ganha a situação.

E por falar jogo e política, o CFE não perde tempo. O projeto da vez é o PCult – Partido da Cultura que vem muito bem a calhar nessas eleições 2010. Momento em que o Circuito participa pela primeira vez, de maneira orgânica desse momento que é extremamente decisivo pras políticas públicas do país, por mais 04 ou 08 anos. Não dá pra ficar de fora e o Partido da Cultura surge no momento mais maduro da rede, em que os membros estão com vontade de laboratorear nesse novo desafio. Todo laboratório é bom, mas o da política partidária, em que se dá o poder real é especialmente estimulante, desafiador e que exige uma atenção clara em cada passo dado rumo aos objetivos traçados. O PCult vem pra fazer mais uma história dentro e fora da rede.

Outra Copa (política) em jogo é o nosso Congresso Fora do Eixo. A ação vem estimulando todos os coletivos da rede a se organizarem antecipadamente e em outubro no festival Jambolada (Uberlândia MG), o momento de pico onde todo o terreno se mostra, é desconstruído e amplamente erguido durante o ano seguinte. Um divisor de águas, sempre. E em terras cubanas, dias recheados com a Casa Fora do Eixo e Festival Calango que já vem com seu planejamento na alta. Concentração total pra que tenhamos mais uma ação fuderosa em HellCity e no Brasil. Ansiosa!

Comentário rápido sobre o Caso Eliza (que foi a vítima e não o Bruno), a mídia é sensacionalista e ponto. Também não há novidades nisso. Mas o fato dessa super exposição do “mau” existir, também não é consequência dessa super exposição do “bem”? Os Mitos são criados pelos superlativos. E Bruno era um ídolo. Trágico é continuar sendo, por outra perspectiva.

Na radiola o último lançamento do Compacto.rec com Leptospiorse. Confiram!

Dias de EcoSol e Nevilton

Minha última semana foi muito voltada pra #EcoSol. Além das reuniões no CRAES onde estamos trabalhando uma parceria com os dirigentes de Várzea Grande, incluindo a integração de alguns agentes no sistema de trocas Cubo Card e a nossa participação no projeto Brasil Local comandado pelo Clóvis da UNEMAT (um dos maiores articuladores da Ecosol em MT),  fui pra Brasília como delegada de MT pra participar da II CONAES – Conferência de Economia Solidária. Por lá, outros companheiros do Fora do Eixo também se fizeram presentes, como Carol Tokuyo do Massa coletiva, Carlos do Guerrilha gig, Paola do Enxame Coletivo, Nando do PopFuzz e Maicon do Coletivo Noma (que deverá se fazer oficialmente um ponto, durante o III COFE). Já na abertura do evento, uma mesa recheada com os mestres do assunto Paul Singer, Ladislau Dowbor e Cristóvão Buarque. E pra constar, os fora do eixo fizeram toda a cobertura AO VIVO na rádio e tv fora do eixo, além de participarem da comunicação colaborativa.

A Conferência é um ambiente de participação popular intenso e a II Conaes não foi diferente. Uma oportunidade ímpar de conhecer outros empreendimentos solidários e perceber que a realidade de Mato-Grosso é bem familiar com outras regiões onde a maioria dos coletivos envolvidos se voltam para as atividades da agricultura familiar e artesanato. Os pontos fora do eixo e os pontos de cultura do governo federal estão levando a cultura pra dentro do movimento de Ecosol e buscando essa transversalidade cada vez maior. E como já nos entendemos como coletivos de tecnologia social, o desafio é muito apropriado pra nos dar um novo combustível pro nosso banco de estímulos fora do eixo.

Na ocasião conseguimos um almoço junto ao mestre Paul Singer, que por sua vez ficou impressionado com a movimentação da rede e aceitou nosso convite pra participar do III COFE. Alguém tem dúvidas que o COFE 2010 promete? Não dá pra perder!

Depois de uma overdose de ecosol, reunião na casa cubo com Pablo Capilé e Mari ramires sobre a organização financeira do Espaço Cubo e a importância de nos concentrarmos cada vez mais nesse planejamento para ampliar o leque da sustentabilidade no nosso APL. Enxugar custos, buscar mais parcerias no Card (100% lastreado em serviços) pros custos, Ampliação de receita própria e pública. Uma engenharia que deve ser trabalhada com precisão, motivação e muita criatividade. Para coletivos mais preocupados com o desenvolvimento social do que em fazer dinheiro, é fácil perceber o tamanho do desafio. rs Enfim, mais uma injeção necessária pro andamento da semana, aliado ao tão esperado show do Nevilton na Casa fora do Eixo esse final de semana. Hell City inteira na expectativa e os cubistas fazendo o papel de produtores e público. Todos fãs da banda, tendo uma overdose do myspace dos caras e bombando na divulgação. Os mais atentos no twitter vão saber chegar no show cantando todas as músicas, sem erro e fazendo muito bonito!!!

Pra encerrar, não poderia indicar outra banda pra se ouvir freneticamente, pelo menos até o dia do Grande Show! rs Bora entrar todo mundo no clima de Nevilton! Arrisco o Hit (que é a minha preferida) Pressuposto. Vamo lá: http://www.myspace.com/nevilton

+ Link´s bacanas da II CONAES:

Álbum de fotos Guerrilha

TV Guerrilha

beijos

Cotidiano pelo #Twitter

o Twitter é sem comentários. Cria. Vicia. Coloca todo mundo no “mesmo piso” pra dialogar. O Cotidiano (não necessariamente nessa ordem):


#Blog #EC Digital: Debate no #StudioSP, Projeto do @CuboCard, #ObservatórioForadoEixo e #CuboComunicação http://bit.ly/d97Cgo (@espaco_cubo)

#\o/RT @Cubocard: Entre na comunidade do Cubo Card na rede social Fora do Eixo http://bit.ly/aZ7VyA #cubocard #foradoeixocard

#Vamos ver: RT @Cubocard: RT @Funarte: Prorrogadas as inscrições para dois programas de fomento da Funarte http://lc4.in/T94Z

#RT @Cubocard: Alguém conhece um contador bacana de Cuiabá que trabalha com organizações sem fins lucrativos? #cubocard

#Mesmo cansada, a expectativa de um filme bom na globo e a net me mantém acesa. Seria mto bom uma tv a cabo.

#Em breve a do FDEcard!RT @MarielleRamires: Lançamos a comunidade do#FDEEventos na rede social @foradoeixo.http://twurl.nl/axivud #fdetec

#Obrigada!RT @Thaliss4: @djvictao @Cubocard @fabinhoflapp @Thais_Campello @fabioluciomeira amei esses twitter tao noblog http://bit.ly/dxKSPE

#S/ noção!RT @MarielleRamires: Dá mta tristeza ver notícias c/ada reação de Israel c/a missão de ajuda humanitária (…)

#@MarielleRamires Tu viu que os blog´s consertaram na rede? não tá mais o filetinho. rs

#Não tinha reparado, UHU! RT @LenissaLenza: @MarielleRamires Tu viu que os blog´s consertaram na rede? não tá mais o filetinho. rs (rs)

#Escrevendo no # Cubanna. Uma homenagem ao twitter!*

O processo é deus

Não dá pra imaginar o processo que estamos vivendo ser reduzido à performance estética num palco. Seguramente essa estética é reflexo de toda a movimentação do processo, porém ele abrange mais do que a capacidade técnica de qualquer ser humano. Ele abrange o fazer humano, em todas as suas competências. O processo é o levantamento de cada digital, em visibilidade estrondosa pra qualquer bom entendedor. O palco que absorve o conteúdo todo adquirido e reúne a diversidade de estilos em comunhão com o processo coletivo, vive essa “antropologia cultural” de maneira honesta e equânime.

O Advogado do Diabo que diz ser a vaidade o seu pecado predileto.

Há muitos questionamentos ultrapassados, que mesmo já sendo respondidos (com prática e discurso – a verdadeira dialética) não atendem aos anseios dos maiores egos dessa história. E nunca vão atender. Isso porque é verdade que para toda formação acontecer, o formando precisa dar os mesmos passos que o formador em direção ao objetivo comum: a formação. O que não acontece. Infelizmente alguns formandos condicionam os seus passos ao do formador, num movimento acomodado e preguiçoso. E por vezes os formadores, repetem a mesma situação, não se deixando se submeter à superação do formando. Um perfeito jogo de vaidades pra que nenhum advogado do diabo possa ver defeito. Encontrar a matemática ideal, depende de ambos nessa relação. E quando não há retorno, cabe a cada um, em sua competência, buscar o novo para ser formado ou para formar, explicitando qualquer dinâmica de ruptura. Normalmente o que entenderá isso não é o que emperrou a relação. Este, dificilmente conseguirá exercícios não contaminados o suficiente, pra superar o seu próprio paradigma.

Um contexto de processo coletivo deve conhecer visceralmente os indivíduos que imprimem suas digitais

A dialética de Hegel

norteadoras de cada movimento gerado em prol desse processo. Conhecer visceralmente os indivíduos é praticar mais uma vez a dialética coletiva, onde o processo devolve ao indivíduo toda coleta coletiva imprimida e vice versa. Porém a realidade fora desse processo ainda absorve pessoas que falam muito de suas competências, mas as praticam muito pouco gerando a hipocrisia e mais uma vez, um envaidecimento que não se supera. Contradições sem superação não geram movimento. E tudo fica parado, quase esperando o efeito retardado da “história que sempre se repete”.

Se os indivíduos liberam toda a sua digital num processo em comum que tomando uma forma coletiva se introjeta novamente em cada indivíduo, o processo é deus. E deus é a capacidade de reunir uma diversidade de indivíduos num sistema coletivo e equânime que rege e prepara novamente os indivíduos para uma nova superação coletiva. Acredito que esse movimento seja a crença mais adequada pra um processo de autoria própria que garanta os egos em perfeito equilíbrio. E essa crença tem um corpo de processo definido. É preciso identificar que deus e que processo se busca pra si e para o mundo.

até!*

O Mundo das autorias

Estante de Obras Autorais

Observar a própria consciência formada pelo universo virtual é um exercício tipo jogo de xadrez. E por certo também faz parte desse todo chamado vida. Um jogo de xadrez requer raciocínio, razão, sensibilidade... é também uma arte da guerra, da sobrevivência, da manutenção, da ascenção, da mudança, do comportamento, do conhecimento, da sabedoria…Observar a própria consciência que se põe pra fora, numa extensão virtual, auxilia no descobrimento e no distanciamento improvável de si mesmo, para se auto criticar com vontade, à vontade, sem medo de se ferir. A introspecção virtual se torna a mesma introspecção humana, mas com a garantia de que tudo será registrado, até o que você “não permitir”. Talvez assim começa a sua própria edição e autoridade.

O mundo das autorias é necessário para que você consiga criar o seu próprio caminho, ainda que seja aprendendo com o de outro. A mescla de diversas autorias só expande a possibilidade de uma autoridade coletiva, que reune impressões e digitais de cada autoridade e as “devolve” com maior grandeza, legitimidade. A troca de experiências autorais amplia as possibilidades de qualquer caminho autoral. E diversos caminhos autorais formam uma trajetória própria

Folder 1ª Edição Festival fora do Eixo

O Circuito fora do Eixo constrói uma trajetória repleta de autorias culturais, de empreendimentos sociais e solidários, de artes variadas, de indivíduos distintos e conectados em vários caminhos complementares que se desembocam no mesmo rio, na mesma motanha, ao mesmo tempo e fora do eixo. Tijolo por tijolo, a construção desse movimento se levanta, se expande, se estende em torno de uma mudança comportamental, cultural.

Semana que vem, dia 06, inicia o Festival Fora do Eixo, uma ação realizada de forma integrada pelos coletivos da rede, potencializando a rede regional sudeste, além das estaduais de são paulo e do rio de janeiro. Os coletivos Massa Coletiva, Amerê Beta Coletivo e Ponte Plural gerem o processo do Festival Fora do Eixo nesta segunda edição e ampliam ainda mais essa ação cultural encampada dentro do eixo Rio-São Paulo. Como parte das ações do Festival, o Circuito inaugura a loja Fora do Eixo no espaço da Galeria do Rock, possibilitando um ponto central do comércio solidário da rede e tornando mais extenso o nosso braço de distribuição. A loja e as bancas fora do eixo em São Paulo é gestão da Fora do Eixo Discos com o Coletivo Goma e o Espaço Cubo. E como se não bastasse, a primeira edição do Palco Fora do Eixo acontece na segunda edição do Festival, reunindo grupos teatrais de vários cantos para se apresentarem em São Paulo. O Palco Fora do Eixo é capitaneado pelo Macondo Coletivo, ponto de coordenação da regional SUL.

Nesse processo de extensão da inteligência coletiva e de suas autorias, a introspecção virtual abre portas para o encontro presencial que mais uma vez, garante novo combustível para o banco das trocas, conhecimento e do estímulo, o fora do eixo card. Nos vemos lá!

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Faz parte do nosso show

Há tempos não escrevo aqui. Também já faz um tempinho que estou ensaiando. Esses dias andam turbulentos e excitantes, no tempo exato de proposição do equilíbrio entre o eu e o nosso. O hábito vai tornando uma realidade, também verdade. E é disso que se trata. Ando conversando frequentemente sobre a importância dos exercícios, pra que as teorias se modifiquem conforme a prática, garantindo a impressão autoral de cada indivíduo que se propõe a participar dessa obra.

Não menos artistas, os pedreiros exercitam todas as maneiras de se criar novos caminhos, novas ferramentas, novas configurações. A cultura, o pensar e o fazer cultural, insere os engenheiros, os pedreiros, os arquitetos, os políticos, os músicos, os médicos, na mesma condição de artistas, desde que haja a criação da sua própria obra de vida. Imaginar o que seria essa criação não é tão simples. E ao mesmo tempo, sempre possível, passível de transformação.

Oração Xamã

A Arte para os povos primitivos, se funde à religião e à ciência na figura de Xamã que era um poeta, escritor, médico e sacerdote. Em seus primórdios gregos, é a capacidade técnica pro desenvolvimento de habilidades humanas, desde o trabalho de um sapateiro até a de um músico. Do pedreiro ao músico, todos desenvolvem habilidades técnicas que pressupõe um exercício para o desenvolvimento humano e para a construção de sua própria visão de mundo. No sentido moderno, arte se enquadra como atividade artística ou produto de uma atividade artística.

Ao longo do tempo, a função da arte tem sido vista como um meio de espelhar nosso mundo (naturalismo), para decorar o dia-a-dia e para explicar e descrever a história e os diversos eus que existem dentro de um só ser (como pode ser visto na literatura), e para ajudar a explorar o mundo e o próprio homem. Diante disso, acredito que a arte está muito além do que usualmente se convencionou tratá-la. Partindo do pressuposto que arte é a capacidade de desenvolver técnica e habilidade humana em prol do desenvolvimento do mundo e de si mesmo em busca da modificação na configuração, da autoralidade, da autonomia e liberdade de criação e experimentação, acredito acertar em dizer que há muitos artistas, que não são artistas. A nomenclatura ARTE ser exclusividade do músico, do poeta, do cineasta ou dançarino, é limitar o sentido do seu conceito que por sua vez, limita a liberdade de criação e da projeção dos seres que não desenvolvem suas habilidades artísticas por essas competências. Talvez uma verdadeira obra de arte, passa por essa resignificação.

Refletindo sobre a transformação que só uma verdadeira arte pode trazer, não seria exagero acreditar que todos os

Arte Impossível

homens tem a capacidade de ser um artista e o cenário para que essa capacidade se desenvolva passa por uma nova prática de exercicios cotidianos capazes de provocar a transformação do próprio cenário. Esse novo cenário está longe de remeter um mundo só com a presença de músicos, palhaços, dançarinos, cineastas e todos os segmentos ditos artísticos no universo reducionista que é aplicado hoje. E sim a aplicação cultural em cada modalidade exercida para o desenvolvimento em partes, de um todo, tendo o fazer artístico como linha transversal de todas as “modalidades” particulares que compõe o mundo. Essa aplicação da cultura, traria o peso de organizações coletivas em cada área, prontos para praticar suas habilidades artísticas, de modo autoral, pela construção de um cenário pautado nos mesmos princípios.

Encarar essa realidade como fantasia é abrir mão da sua liberdade de ser artista e consequentemente, de ser um humano em pleno desenvolvimento. Humano pleno. É quase abrir mão de ser um humano, deixando só espaço pra um objeto. Ser artista é poder modificar o sentido de tudo: trabalho, política, religião, estudo, vida. É a capacidade de se admitir no outro e perceber que não basta só si mesmo pra se transformar ou transformar o mundo.

Hoje, uma força propulsora desses exercícios simples e geniais (afinal como bem disse Einsten, “tudo deveria ser o

Mapa Fora do Eixo no Brasil

mais simples possível, porém não simplificado”) capazes de modificar um cenário e de promover a dialética entre o eu e o nosso, pode ser percebida na cultura independente, alternativa. Identificando-a numa realidade em que mais estou presente, essa força é alimentada pelo Circuito Fora do Eixo. Este, se faz um movimento dialético com abertura elástica o suficiente para modificar todas as vertentes passíveis de experimentação. Um movimento que pela própria origem tende a formar humanos em artistas sem diferenciação. A criação de varadouros entre o eu e o mundo externo provoca a prática de exercícios sistêmicos que propõe a liberdade criativa apontada para a necessidade que o todo precisa em cada contexto, promovendo ainda um ciclo de transmutação.

É nessa esfera que entramos todos os dias, desde o anoitecer ao amanhacer de um novo dia, desenvolvendo sempre o exercício de um novo hábito. Faz parte do nosso show, tornando o show a nossa própria vida…

Hasta!

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Tubo de ensaio

Desde novembro, durante o Encontro Fora do Eixo em São Paulo, no Fórum de Cultura Digital (realizado na bela cinemateca), que estou ensaiando pra postar aqui. Desde lá bons ventos me levaram a andanças muito positivas, por alguns lugares do Brasil. Lugares fantásticos pelas pessoas, paisagem, contexto e novas possibilidades. O Encontro no Fórum foi absurdamente estimulante. Fomos convidados de destaque, nos envolvemos em todas as plenárias e discussões acerca da cultura digital e seu amplo universo. Contactamos figuras essenciais pra manutenção e ampliação do Circuito Fora do Eixo como um todo. Cláudio Prado, o anfitrião, nos acolheu de modo ímpar, com um atendimento digno e condizente com todo o valor que tem a rede e cada um de seus coletivos pra cultura brasileira. Além do Fórum de cultura digital, uma imersão na casa da Lala Deheinzeli, grande referência da Economia criativa no Brasil que capitaneia o projeto crie futuros, já nos auxiliando a visualizar o Banco do Futuro do CFE. Lala se tornou uma grande parceira. Lala se tornou uma grande parceira e nos deixou muito à vontade em sua bela Casa de São Paulo. Aliás, vale muito destacar a casa dela: Uma cidadezinha cenográfica a base de muita reciclagem num conceito bem sustentável. Foda. Foi lá que fizemos a primeira reunião com o coletivo Amerê Beta (até então sem nome). Marcos, Taís e Dani já mostravam todo o entusiasmo em fazer parte da rede e se ingressarem nessa vida de muita labuta e feliz dos coletivos. rs

Além do Encontro Fora do Eixo em São Paulo, houve um segundo Encontro no Goiânia Noise. Muitos dos fora do eixo que estavam em sampa, foi direto pra Goiânia. Momentos que trouxeram uma aproximação maior dos coletivos envolvidos, provocando uma sintonia necessária entre as regionais Fora do Eixo (mesmo com a ausência da regional sul). O Eixo de sustentabilidade se reuniu várias vezes com a mulherada presente, ampliando e consolidando ainda mais o setor do Fora do Eixo Card. Reuniões do Fora do Eixo, aproximaram coletivos e membros novos, como o Araribóia (Niterói RJ) e a Dani que acabou se ingressando no Massa Coletiva (SP).

Depois do Goiânia Noise, a volta pra Hell City. Ajustar contas, pós produção do Festival Calango e a casa em geral, para a próxima circulação cubana: A II Feira música Brasil. Esta, realizada em Recife (PE) já uniu mais vários coletivos do Nordeste, além dos coletivos do FDE Centro-oeste e sudeste. Outro grande momento da nossa circulação pelo Brasil. Momento histórico pra constituição e solidificação da Feira Música Brasil, valorizando o CFE como um dos movimentos de maior musculatura na cultura nacional. A experiência política trocada com o Fórum nacional da música foi bem proveitosa. Macaco Bong fez um show espetacular. Reuniões quentes da ABRAFIN e programáticas / sintomáticas do Circuito Fora do Eixo causaram mais um grande avanço nas atividades da rede pra 2010. Muitas oportunidades de organização, trocas, afinidades processuais e pessoais foram sabiamente utilizadas através do inconsciente coletivo do CFE. Mais um momento intenso de trocas e aprendizado.

Continuando a viagem nesse trem (ônibus, avião, carro…), da Feira, segui solitariamente para Brasília, afim de antecipar trâmites burocráticos do Calango no MINC e iniciar minha temporada trabalho/familia, na casa de minha irmã. Mais um momento muito gostoso, onde descanso, trabalho e papos na madrugada se encontram harmonicamente. De Brasília, direto pra Rio Verde, minha cidade natal. Em Rio Verde, os olhos voltados para uma possível articulação para mais um ponto fora do eixo se estabelecer no FDE Goiás, dessa vez, me revelaram uma boa surpresa: um bar rock alternativo (Stone rock) foi aberto recentemente e já vem movimentando a cena local, aliás, até o policiamento local o bar vem movimentando em proporções absurdas, como toda cidade que ainda enfrenta o provincianismo cristalizado. rs (confiram o vídeo). Rio Verde tem uma cena de metal forte, com bandas autorais, um festival (das abóboras – apelido carinhoso da cidade rs), mas ainda na vibe xiita, como toda cena de metal principiante que se preze. rs. Pessoas daqui e dali interessadas em fazer a coisa acontecer de alguma maneira, mostraram ser um caminho mais próximo do que antes, sem dúvida. Nessa, alguns contatos despretensiosos já devem garantir algumas surpresas em breve, que conto depois. Enfim. Descobri novos sobrinhos (lindos) e com certeza curti muito minha família e amigas de infância que já não via há alguns anos. Tudo em paz, como haveria de ser…

Depois da cidade natal, já fui cumprir o programa do Cubo para o fim de ano que estabelecemos em Recife: Mari e Pablo pelo Nordeste e eu pelo Sudeste, no Coletivo Goma. Talles e eu planejamos o reveillon FDE Minas que logo se transformou no FDE Sudeste. Afinal, tava muito na mão! Definimos a linha estratégica da Imersão de final de ano junto aos coletivos mineiros e paulistas. No caso, o Massa Coletiva. A Virada em si foi produzida na casa cultura GOMA com direito a champagne e farofa de banana (que amo. rs). O Caixinha coletivo rendeu e os cards mão de obra investidos na cozinha valeram demais a pena. Tem muita cozinheira boa na rede. rs. A maioria chegou no dia 29 e a partir daí, já definimos os trabalhos em grupos organizados ora por setor nacional, ora por eixo nacional, ora por coletivo, ora por coordenações. Muito dinâmico, produtivo e sintomático. Dinâmicas pessoais, projetos por coletivos e integrados reestruturados e ampliados em um rearranjo fundamental pro contexto vivido. Resultados muito satisfatórios como a criação do fundo estadual de minas e regional sudeste, além do programa FDE Minas 2010 com seu núcleo durável estabelecido, programa para os coletivos, oficinas piloto de circulação em festivais mineiros e rotas para as bandas do GR sudeste, demonstraram mais uma vez como a força coletiva pode antecipar e injetar por muito tempo, uma grande dosagem de estímulo. A virada FDE Sudeste rendeu até Tarô e programa de família, com diversas crianças interagindo no processo. Já falei pra montarem um coletivo infantil, quem sabe o Praticutucá de Udia. rs

Enfim, Circulação sempre boa pra dar uma reoxigenada no cérebro e o coração, e manter a sábia dialética da razão e sensibilidade, pra deixar a saudade suficiente de “casa” e voltar com gás todo pro fortalecimento da nossa Cena local/estadual/regional. Nossa querida Hell City já pronta pra reerguer a Casa Fora do Eixo. É isso aí. Como uma fênix, a CAFE vai voltar com tudo esse ano. E essa é só mais uma grande novidade do nosso tubo de ensaio, pronta pra explodir esse ano. Aguardem!

beijos

calango 1O Festival Calango por si só é sempre uma surpresa. Isso porque há 7 anos ele traz novas situações das quais ainda não enfrentamos para experimentar, como todo laboratório que se preze deve ser. Considero ele ainda um vulcão que durante os dias “D´s” entra em erupção. Isso porque o trabalho dele é movimentado indiretamente e diretamente o ano todo, considerando que sua celebração é reflexo em uma vitrine, de toda a construção da cena cultural independente de Cuiabá e nacional, pelo Circuito fora do Eixo, que trabalhamos organicamente o tempo todo. O Calango teve a missão de fazer um “compacto.mostra” de todas as formas adquiridas nesse processo em rede, em arranjos criativos culturais.

Em 2009 o Festival Calango enxuga um pouco suas ações, mas mostra uma cena madura, colaborativa ebanda concentrada nessa ação que integra todos os agentes da cadeia produtiva cultural através da moeda solidária mais abundante que temos de exemplo hoje: a força de trabalho e dedicação daqueles que buscam fortalecer sua própria autoria e autonomia frente à realidade social que estamos inseridos. Além da equipe durável do Espaço cubo, os membros dos coletivos e empresas parceiras do Festival estão cada vez mais maduras e em sintonia com o método solidário do Espaço Cubo.

Em 2009 também inovamos com a ocupação de duas arenas distintas em um mesmo Festival, até então ainda não praticado. O último dia ser celebrado em Praça aberta, mudando o clima de “negócio” para “política” formou a junção perfeita do que constitui a filosofia solidária do processo em que o Espaço Cubo vem desenvolvendo há 7 anos. Um mercado alternativo com uma política cultural alternativa, independente do mercado e política vigentes. A Praça das bandeiras ainda compôs o cenário perfeito para essa diversidade complementar do Calango que também ficou muito evidente esse ano, através da programação musical. A bandeiras foi uma surpresa pra mim que nunca tinha estado nesta praça até ela ser escolhida para o Festival.

praça bandeirasA presença maciça dos coletivos do Circuito fora do eixo, produtores, jornalistas, bandas, artistas e agentes culturais em geral, contribuiu mais uma vez para que nos esforçássemos para obter uma boa política de atendimento, atendendo cerca de 200 convidados nacionais (186 mais precisamente). Esse ano, o coletivo Goma, o Massa Coletiva e Coletivo Catraia compuseram a equipe de modo mais orgânico auxiliando na produção executiva, atendimento, eventos, sonorização e comunicação. Experiência cada vez mais rica a cada festival.

A feirinha do calango, o Mercado Mix, já com a cultura da moeda social impregnada, esse ano deu mais alguns passos, obtendo o lastro somente calcado na própria moeda com diversos feirantes e expositores que optaram pela cota Diamante, ou seja, sem a necessidade de utilizar um lastro em real (R$) para pagar o que foi consumido em moeda social na arena. Outro aspecto muito bom foi ver que o goma card circulou “a rolê” pela arena, ampliando a circulação de moedas sociais do circuito no mercado de Hell City.

2009 foi um ano em que o Calango realmente teve que mostrar quase que o seu método “intuitivo” de ser executadosomero_calango uma vez que o tempo para se concentrar exclusivamente em seu planejamento e produção foi curto, comparado às outras edições. E mesmo assim ele se dividiu com o nosso trabalho nas conferencias municipais do estado de mato-grosso que tinha o mesmo prazo final para acontecer. Mais uma vez nos superamos e isso é muito gostoso. Acreditar em toda a experiência, vontade, disposição e abertura para o novo sempre, traz uma confiança quase que matemática de que o nosso limite pode sempre ser ampliado e transmutado.

Me perguntaram várias vezes no último dia se eu estava com a sensação de missão cumprida… hoje posso responder que a sensação é a do cumprimento de criar mais um varadouro que nos leva a uma nova transmutação. Muito obrigada a todo mundo que fez e faz parte dessa cinergia. Até os próximos…

beijos

Metamorfose

cofe 2O II Congresso Fora do Eixo acabou de ter seu fim em Rio Branco, no Acre, junto ao Festival Varadouro realizado pelo Coletivo Catraia e como eu já havia anunciado, ele cumpriu o que prometeu, talvez até mais… Esperávamos 60 congressistas pelo fato de Rio Branco ainda ter um problema de custo alto nas passagens, porém, 80 congressistas participaram da ação e certamente o investimento valeu muito a pena. Aumentando a quantidade de 10 pessoas, do I Congresso, o II Congresso superou as expectativas em todos os aspectos. Inesquecível.

A palavra que melhor define tudo o que aconteceu ali é Metamorfosemudança de forma a que estão sujeitos; transformação. A presença de cerca de 30 coletivos (integrados e não integrados) e dos consultores dentro de uma metodologia horizontal e intimista foi perfeita para manter a coerência e a troca de conhecimentos e princípios essenciais para os novos passos do Circuito. Não foi à toa que a Carta de princípios saiu dali, numa atitude de clareza e conhecimento profundo dos valores, premissas e diretrizes essenciais que conduz o nosso Movimento. A estrutura fechada e aberta é tão clara que culturalmente todos ali absorveram de uma maneira ou de outra, esses princípios horizontais e pontos comuns de comportamento que devem reger nossas atitudes e o ambiente favoreceu para que todos se apropriassem desse modo cultural de se estabelecer no espaço dedicado ao Circuito Fora do Eixo. Até mesmo nas horas de “entretenimento” cabia a filosofia do processo. O Congresso foi um momento único de encontrar o indivíduo com o coletivo em uma única esfera e do encontro definitivo com a pílula vermelha… (Matrix)

06 dias intensivos num processo de imersão “paulêra” com orientações, consultorias, trocas e produção intensascofe 2 2 deram um resultado que certamente superou as expectativas dos mais otimistas e constribuiram para uma grande injeção de estímulo para até o próximo encontro presencial dos coletivos da rede que acontecerá no Festival fora do Eixo em são paulo (2010). De fato o inconsciente coletivo mostra a força motriz que conseguimos gerar até hoje e o quanto ainda está por vir. Além da carta de princípios, o regimento interno, o planejamento anual do Circuito 2009/2010 e as diretrizes do CFE para a conferência nacional de cultura foram resultados extraídos do Congresso. O primeiro laboratório da web tv ao vivo também se deu lá com a equipe de comunicação da rede que agora se expande para o segmento audiovisual fora do eixo.

varadouroAs trocas diretas e indiretas, a aproximação com a gestão pública cultural do acre impecável (gerida por Daniel Zen e Karla do coletivo catraia) e com o misticismo lado a lado do racionalismo promoveram uma experiência grandiosa pessoal e coletiva a todos os participantes da ação. Tudo isso deixa a experiência quase “inarrável”, mas tô tentando fazer um esforço por aqui. rs. Além do Congresso, a possibilidade de envolvimento com mais um Festival Varadouro muito mais maduro e conceitual “floresta” nos permite aquela sensação de “estamos no caminho certo”, cada vez mais… e não há nada que possa nos parar. É o estado de espírito coletivo que nos mantém e que nos impulsiona a avançar sempre mais. Paro por aqui porque o cansaço não me permite mais!

É nóis!

Da cultura nacional

leRecentemente eu e mari viajamos à Brasília para a oficina de capacitação dos facilitadores nacionais da II Conferência Nacional de Cultura, realizada pelo MINC (Ministério da Cultura). Indicados pelo próprio MINC, o Espaço cubo assume o papel de facilitador do Estado de Mato-Grosso e nacional atuando com o Circuito Fora do Eixo. Entre 19 e 21, ficamos hospedadas no Hotel San Marco, local onde também se realizou a oficina. Diante de diversos agentes culturais governamentais e da sociedade civil, a experiência foi muito proveitosa, alinhando ainda mais os métodos e anseios que diversos grupos culturais têm pelo Brasil.

O Circuito Fora do Eixo foi muito bem recebido pelos representantes das regionais do MINC e grupos ali representados por seus facilitadores, além do próprio MINC, através do Fred (secretaria de articulação institucional do ministério) que já havia se entusiasmado muito com a rede. Certamente, teremos um papel fundamental nessa articulação nacional em prol de mais uma atividade histórica da cultura brasileira.

A primeira Conferência nacional se deu em 2005 e o Cubo já esteve presente assumindo papéis de delegados e marirelatores nacionais, estimulando proposições condizentes com a relalidade do cenário cultural independente em seus mais variados aspectos da cadeia produtiva como a comunicação, música, audiovisual, economia da cultura, formação e etc. Este ano, assumimos o papel de mobilizar a comunidade cultural em prol de estratégias efetivas para constituir no Plano nacional de cultura do país. Certamente mais uma experiência engrandecedora para o objetivo maior dessa causa.

Além da II CNC, o envolvimento do Instituto com a produção do II Congresso fora do Eixo é cada vez mais intenso, visto que faltam cerca de 15 dias pra sua realização. Adotando um formato de formação completa, com consultorias para as ações institucionais e para os coletivos da rede, além das plenárias para as discussões e deliberação de propostas a serem executadas em 2010, o Congresso ainda traz um contexto diferenciado, sendo que desde a sua primeira edição, mais de 30 coletivos ingressaram no Movimento e participam diretamente do seu desenvolvimento. Outra contexto bem cofe 2interessante é o fato de acontecer junto ao Festival Varadouro, em Rio Branco, através do Coletivo Catraia – grande principiador de toda a história do Circuito fora do Eixo. Além disso, o Estado de Rio Branco além de ser a “cara” do que representa estar fora do eixo, vivendo um “isolamento” histórico do “progresso” no país, é um dos Estados mais desenvolvidos no processo de política cultural e de movimentos sociais históricos do país. Marina Silva e Chico mendes são dois grandes nomes que representam tudo isso. No espírito da Floresta Amazônica, Movimentos sociais e princípios coletivos, o II Congresso Fora do Eixo promete ser uma grande experiência para a cultura nacional independente.

E cá de Hell City pro Brasil, o projeto Música do Mato realiza sua primeira turnê. Mal saiu do forno e já atravessa boa mmatoparte das regiões brasileiras contando com uma diversidade de músicos que vão desde o instrumental “erudito” de Ebinho cardoso ao instrumental rock do Macaco Bong, passando pela MPB do Monarco, Rap do linha Dura e eletrônico com o Dj Farinha. Um grupo completo, compacto e viável para qualquer evento independente e alternativo. É nesse estilo COMPACTO.TUR fora do eixo que o Música do Mato segue sua trajetória, passando por Goiás, Minas, Nordeste e outros estados brasileiros representantes dos coletivos da rede. Acompanhem mais pelo Blog.

A Rede Música Brasil é outro processo nacional do qual o Espaço Cubo vem trabalhando fortemente, junto aos mais variados grupos e instituições musicais e culturais do Brasil. Após a realização da I Conferência nacional da música na Feira da Música de fortaleza, a lista da Rede Música brasil tá bombando e certamente essa articulação vai interferir sensivelmente nas próximas construções da política cultural do país. Mas isso é discussão pra mais vários post´s…

Como não poderia deixar de ser, o panorama nacional está cada vez mais satisfatório para os princípios norteados pela cultura independente e alternativa, uma vez que os coletivos “fazedores” dessa cultura ocupam mais espaços e  trocam mais intensamente conhecimentos, tecnologias e paixão por esse imenso laboratório de transformações sociais…

Bons tempos os ventos trazem! Nos vemos lá.

beijos

Semestre Intensivo

logo circuitoO segundo semestre já chegou e agora começa o intensivão de Festivais, transmissões de rádio ao vivo, intercâmbio de produtores, bandas, comunicadores, professores e simpatizantes culturais em geral, seminários, gravação de documentários e programas de tv, feiras solidárias, palestras, congressos, fechamento de parcerias, turnês … momento chave para ampliação de todas as tecnologias desenvolvidas pela rede do Circuito Fora do Eixo e dos coletivos culturais que a compõe.

O semestre já começou com os trabalhos para o Congresso Fora do Eixo que será realizado durante o Festival Varadouro, em Rio Branco (AC), entre os dias 21 e 26 de setembro. Momento em que todos os coletivos devem viver um processo de imersão presencial com consultoria técnica de profissionais importantes pra cadeia produtiva da cultura. Carreira artística, inovação tecnológica, empreendedorismo coletivo, mercado cultural, economia criativa e solidária são os eixos centrais a serem desenvolvidos junto às ações sistêmicas da rede, as frentes gestoras que norteiam as ações do movimento Fora do Eixo. Agora é a fase do “pedreiro” entrar em ação. Decupagem, viabilidade e produção do congresso para daqui há um mês. E nóis.

obsEm agosto foi realizado o 1º Observatório Fora do Eixo que ao contrário do Congresso, desenvolve um processo de imersão Virtual ( e não presencial) dirigido às frentes gestoras da rede, durante uma semana. A primeira edição trouxe como tema principal a Economia solidária e suas principais características. O evento utilizou a transmissão ao vivo via web rádio como plataforma central do debate, além de uma sala de chat do freenode exclusiva para as interações onlines. Sistema 100% livre. Cerca de 200 pessoas frequentaram o evento durante a semana e a rádio chegou a picos de 63 ouvintes. A mobilização de cerca de 30 pessoas dos coletivos da rede e 30 de público geral por dia, com a participação de nomes como o de pena shimidt, fabrício nobre, mvbill entre outros; o detalhamento e a explanação de cada dúvida gerada,  trouxeram um resultado extremamente positivo e a construção do Fora do Eixo Card tornou-se ainda mais ampla e visualizada. A tendência é que haja 1 bservatório por mês de cada tema referente às demandas da rede. Não vejo a hora do próximo! (Só temo que tenha que ser pós Congresso. rs)

Lançada mais uma moeda na rede: Patativa é o piloto da moeda solidária da REDECEM no Ceará que será posta em circulação na Feira da Música, realizada pela Prodisc. Os convidados já terão o privilégio de utilizar a patativa em alguns locais convenidos como casa de shows e bares de Fortaleza. A iniciativa inaugura a quarta moeda complementar da cultura fora do eixo. Muito estimulante!

E por falar em moeda complementar, o PIMB (plano de implementação de bancos populares e moedas complementares do CFE / Cubo), ataca agora em Brasília, na Ceilândia (local inclusive que macaco bong acabou de passar). A idéia é lançar um banco popular da ceilândia com coletivos de hip hop e culturais diversos em torno do bairro. Marcus Franchi (MCT) que trouxe os arranjos produtivos locais para o CFE, agora se propõe a implemetação do banco nos coletivos de Brasília em parceria com o Cubo e o CFE. Marcel Arêde do coletivo Serasgum no Pará também já nos buscou para o desenvolvimento do PIMB PA. E a rede solidária só tende a aumentar.

Como se não bastasse, Calangão tá chegando e sua pré produção cada vez mais intensiva. Além das visitas para o fechamento de parceiros, via cubo card, calango na escola e prévias do calango já contam com o processo de formatação e decupagem de sua programação pra que tudo aconteça da melhor maneira possível. Além do fechamento das escolas que se encerrou semana passada, os locais de realização do Festival também devem ser selados em breve, avançando para o desenvolvimento das plantas e da burocracia necessária para a realização do Festival.

A II Conferência nacional de cultura também está dando o start em agosto e o Cubo estará representando o Estado de Mato-Grosso na condição de facilitador do processo por aqui. Uma preparação será desenvolvida em dois dias em Brasília, daqui há alguns dias.

Para terminar, a caixinha de clipes sempre guardando o movimento cotidiano pró trabalho livre e sustentável como balanços financeiros, administração de dívidas, contratos, planilha de contatos, atualização de blog´s setoriais, orçamentos, acertos e pagamentos, elaboração de projetos, balanços cubo card, reuniões, atas, planilhas financeiras, decupagens de projetos, planos de trabalho, filmes, livros e etc, etc, etc.

Depois volto.

beijos.

Encontros e Desencontros

Plagiando Sophia Coppola, ultimos dias de encontros e desencontros. Filmes, leituras, vivências antigas e novas vivências que se entrelaçam no cotidiano da cultura independente provocando o exercício de saber que pelo o encontro vale a pena o desencontro, seguindo com os que estão na mesma sintonia.

O tempo parace ser sempre o mistério coroado de coringa pra definição de marcos e acontecimentos, de mudanças e movimento em qualquer direção. O tempo que não pára, não volta, não se antecede. A não ser que sejamos o dono do nosso tempo.

Ultimamente os coletivos vivem projetos de imersão como método para se organizarem e otimizar o tempo, refletindo e executando juntos, as ações coletivas. O Massa Coletiva de São Carlos, lançou a primeira conferência Massa, voltada para o próprio grupo. Em seguida o Goma de uberlândia, lança a 1º Imersão, sistematizando as necessidades do coletivo e o Lumo, de pernambuco vive o Primeiro Internatolumo focado na lumoeda e elaboração de projetos. Uma espécie de “incubadora” temporária pra gerar novos resultados, mais ágeis. Bacaníssimo.

Por aqui vamos nos mantendo encubados as atividades cotidianas do Cubo: Misc, cubo sonorização, cubo comunicação, negocios ao cubo, cubo discos, cubo eventos, cubo vídeo, cubo pesquisa, cubo card, calango, grito rock, mic, circuito fora do eixo, volume, imprensa de zine, próxima cena, body art, hell city, música do mato, governança integrada e etc etc etc.

O laboratório não para.

Vontade de ir no cinema.

beijos.

espaco-cuboSemana de mais uma labuta ‘encubada’ do ponto de vista estrutural e espiritual. A condição financeira em moeda oficial sempre nos faz recorrer ao trabalho como o maior poder da sobrevivência e todo dia é bom se lembrar que sua própria moeda te salva. Desde alimentação até a manutenção das atividades de balanços, coleta, projetos, estratégias, limpeza, divulgação, distribuição e produção, sempre solucionados pela consciência do valor do seu próprio trabalho e de todas as possibilidades de troca que ele permite. Integrar-se a um grupo de pessoas exige um exercício de dedicação e partilha, mas principalmente, de uma decisão pessoal e individual com consequências coletivas. Sempre é.

Essa semana foi um misto de abatimento temporário pela condição financeira, e um estímulo permanente pela condição social imensurável de superação própria. Há sempre o que fazer, em qualquer condição. Por isso ampliar o repertório com as atividades desenvolvidas em teoria e prática é sempre o melhor exercício.

Na minha ‘caixinha de clipes’ passou o ajuste final e publicação do projeto de APL Cuiabá e Uberlândia fruto dalogo circuito primeira etapa da atividade; a criação da lista de discussão como metodologia para reuniões entre os envolvidos do APL, com encaminhamentos da produção entrando na segunda etapa; A elaboração e finalização do projeto de passagens do CFE para o congresso fora do eixo no edital de intercâmbio cultural; Elaboração e Finalização do projeto Rádio Livre Abrafin e Cubo Card pra o edital da Oi futura, junto ao setor do negócios ao cubo; Conferência e atualização do extrato cubo card do agente integrado Fabinho Venial), atualização das planilhas de execução da cubo eventos e cubo comunicação referentes ao mês de junho; explanação sobre ferramentas básicas do google docs e blogspot para aprimoramento da cubo sonorização online; “reforma” nas marcações do Tec Fora do Eixo; Balanços financeiros de março, abril e maio de 2009; atualização do blog do cubo card; reuniões com o setor da eventos e vídeo; fomento nos debates do festival fora do eixo, congresso, fora do eixo card, web rádio e web tv na lista dos coletivos; leitura do portal fora do eixo; assisti ao CCFE #5; fluxo entre a rádio lumo e a rádio fora do eixo sobre a transmissão de sábado; envio do organograma do cubo ao cidadão do mundo, fomento e encaminhamentos na lista de discussão do cubo; aprovação de membros na comunidade abrafin e cubo; reunião com o setor da cubo sonorização; reunião com marcus franchi sobre os APLs CFE; participação (virtual) às 8 da madrugada (horário de cuiabá) na conferência do massa coletiva sobre economia solidária com o professor da incubadora ECOSOL Ufscar e Talles do Coletivo Goma (como vai ser lindo quando rolar a web tv ao vivo rs); lavagem de louça e roupa, retirada de lixo, pagamentos …

E a caixinha pronta pra aumentar cada dia mais…

# NA TEVÊ (rádio, site, jornal, etc etc e etc)

MichaelJacksonDancando1Michael Jackson morreu (ainda vou assistir todos os clipes por ordem cronológica. rs) e ao contrário de  alguns, não me espantou a sua morte. Aliás, como é que pode ser espanto a morte de um gênio atormentado? Ainda mais já tendo dado tanto ao mundo… talvez um pesar pela admiração. Um Patrimônio histórico mundial. Um cara tão foda que não suportou sua própria superação. autofagia na veia. Também é pedir demais que não tenha um puta efeito colateral tanta divindade… o que aliás, não veio à tona só na sua morte, pelo contrário … ou enquanto vivo era excentricidade? vai em paz MJ, se puder. Tu interferiu no mundo como os grandes e poucos …

novahelltamanhocertofinal

Mais um dia nessa toada: Movimento cultural, reflexões e divagações que nos levam sempre a várias leituras interligadas, nos dando a forma de um coletivo. Como não haveria de ser, um movimento que se preze está sempre em mutação, sendo condição necessária a maleabilidade de qualquer estrutura gerada para que se modifique conforme a necessidade dos princípios coletivos. É portanto com gás renovado que dia a dia decidimos nos dedicar a manutenção e finalização das atividades, bem como à criação de novas ações.

Começo pelas atividades recém criadas como o PIMB (já tão divulgado e detalhado pelos blogs do cubo). A idéia foi organizar um projeto de implementação de moedas complementares e bancos populares, apto à ser replicado para qualquer grupo organizado no intuito de fortalecer a economia solidária cultural. O PIMB surgiu frente à demanda (mais uma vez) proposta pontualmente pela Luciana – secretária de cultura estadual de Pernambuco. A partir daí nos propusemos a iniciar mais esse laboratório com as atividades nas comunidades de Santo Amaro e Alto Zé do Pinho, além do Coletivo Lumo. Uma grande oportunidade de trabalhar com uma trinca que visualizasse em cada um, o grande potencial de troca para a própria sustentabilidade e consequentemente, tornar-se a semente de um arranjo produtivo local de cultura solidária. A novidade é que a ação (ainda embrionária e correndo no tempo do contexto) já se tornou inspiração para a comunidade do Jardim Vitória, aqui em Cuiabá, através do coletivo Favelativa e portanto, já demos um passo para a ampliação do PIMB que agora além de PE é também MT. Uma coisa puxando a outra em rede…

Recentemente o prêmio Hell City mostrou que depois de tantos projetos realizados pelo Espaço Cubo para o desenvolvimento sistêmico e constante dos eventos como pontos essenciais para formação, circulação, distribuição, produção e consumo da cena de música independente, o resultado só poderia ser o melhor: vários grupos qualificados trabalhando de maneira integrada para a manutenção e desenvolvimento de todo esse cenário. A cada dia a cultura de Hell City ferve um pouco mais introjetada no conceito alernativo, independente e solidário.

O contexto político governamental de Hell City também anda cada vez melhor. Após algum tempo de discussão para efetivar diretrizes encaminhadas pelas conferências de cultura, parte essencial do Plano Nacional de Cultura, o Estado de Mato-Grosso finalmente fecha o convênio com o MINC através do Programa Mais Cultura e lança o Edital para Pontos de Cultura de Mato-Grosso. Mais uma abertura para o desenvolvimento do cenário local. Além disso, a prefeitura caminha a passos largos com sua política de parcerias público-privado nos equipamentos culturais da Cidade. O MISC na gestão do Espaço Cubo, reúne uma diversidade cada vez maior de gestores aproximando a sociedade civil cultural das decisões do governo, além de garantir a descentralização dos equipamentos públicos municipais.

A Comunicação cultural de Hell City também vem colhendo mais frutos e se ampliando ramificadamente devido à intensa política cubista de trabalhar em prol da comunicação independente. Recentemente é anunciado pelo Eduardo Ferreira (gestor cultural e artista) o início das conferências de comunicação municipais e estaduais de Mato-Grosso, no mês de agosto. Depois do surgimento de tantos centros de mídias independentes junto aos coletivos culturais, com o MIC (mídias integradas cuiabanas) sendo um dos maiores representantes dessa história, é chegada a hora de uma abertura política de comunicação social e cultural nos planos governamentais de Hell City.

Percebe-se que a cada dia a cultura de Hell City cresce a olhos vistos… esses são os exemplos da últimas semana.

Beijos

Estréias

logo circuitoO Ano está recheado de estréias (não sei se ainda se usa o acento agudo), mas por um prisma, a cena independente impulsionada pelo Cubo e todos os coletivos do Circuito Fora do Eixo vivem projetos novos a cada dia. Por exemplo:

# O Programa Curto Circuito Fora do Eixo realizado com matérias produzidas pelos coletivos da rede, em especial Massa Coletiva, Lumo Coletivo, Coletivo Goma, Do Sol e Cubo estréia na TV ABERTA – TVE São Carlos, nesta sexta.

# Surge o primeiro catálogo de circulação de bandas da Fora do Eixo Discos efetuado pelos 40 coletivos da rede (e cada hora esse numero cresce mais)

# Goma e Lumo estréiam moedas complementares

# Ano de estreia das primeiras reuniões ordinárias e do trabalho diário entre a rede através do msn do CFE.

# O Portal Fora do Eixo ganha seu primeiro prêmio de Mídia livre.

# O Catraia estréia ampliação do Varadouro em 03 dias + o Congresso Fora do Eixo

# Lumo Coletivo estréia suas noites fora do eixo

# Palafita estréia ampliação dos trabalhos nas escolas

# Pegada estréia o seu coletivo

# Cubo e Goma estréiam seus setores de Negócios

# Fósforo estréia Rede Fora do Eixo Goiás

# Alona estréia seu coletivo

# Bigorna estréia campo grande na rede do CFE

E por aí vai… (posso ficar aqui até amanhã citando estréias do Circuito, de todos os coletivos e até pessoais)

Talvez todo ano fosse assim, pra cada coletivo, pra cada pessoa que o compõe. Mas esse ano dá pra perceber que tá “pra todo mundo junto”.  Movimento bonito. Ano promissor. Mais um.

beijos

Dias cheios

logo hell city 300Faz tempo que não atualizo por aqui as experiências do dia a dia. Por Hell City um clima frio nada característico abateu por essas terras, nos dando um descanso. Mas pra falar a verdade, pro contexto exigido atualmente, isso faz pouca diferença. Trabalhando em apenas uma sede, além do MISC, por dificuldades técnicas, o espaço cubo continua sua jornada de todas as horas.

Por falar em MISC – Museu da Imagem e do Som de Cuiabá do qual o espaço cubo é gestor, importante comentar sobre sua mutação, experimentando agora uma nova fase coletiva de gestão: membros de grupos culturais da cidade, assumem seu conselho gestor e já estão mandando ver na execução das atividades diárias. Tendo um conselho gestor formado por vários coletivos, o MISC sempre trouxe essa caracterísca desde que o Cubo o assumiu e hoje, conta com uma força produtiva maior na administração do museu. Não basta ceder os espaços pra todo mundo que tiver propostas ocupar, também é necessário ceder o processo de produção e gestão. As fichas de agendamento do MISC propõe ainda a troca entre os proponentes do projeto, para auxiliar no processo auto-gestionário do museu e cada vez mais, a moeda complementar da sociedade cultural passa pelo MISC. Órgão público, para o público e de gestão coletiva.

Além do museu e seu acompanhamento diário, organizar as atividades cubistas é sempre um desafio! Hoje, às 4 da madrugada, Pablo Capilé sai em direação à Porto Alegre (RS) para uma palestra num evento da Coca-cola. Contratos, nota fiscal e logística, podem ser mais trabalhosas do que parecem. rs. Porém, mais uma receita provinda dos trabalhos cubistas e muito BEM VINDA. Além de mais uma oportunidade para difundir a cena indpendente musical / cultural do país.

A lojinha do cubo está ficando cada vez mais legal e a comunicação virtual vem deixando nossa loja muito atrativa, além dos próprios produtos recém consignados de griffs e selos alternativos de Goiânia, como a Monstro, através do Festival Bananada. Essa semana o catálogo de todos os nosso produtos, entra permanentemente no blog do Cubo Card e todo mundo pode ter acesso!

O Festival Calango já está sendo planejado. E pra esse ano, novidades como o edital de seleção de bandas é fato garantido! Em 2009 também é provável que o mês do Festival mude de agosto pra outubro. (Conforme twitou Pablo Capilé). As atividades nas escolas devem acontecer entre junho e agosto. As prévias em setembro. O relógio já corre. Calangão não deixa brecha pra dormir no ponto. Em fase do edital, o próximo passo é o projeto de execução.

As atividades do PIMB PE também estão presentes nos trabalhos cubanos. Recentemente, a definição da planilha dePIMB PE(2) custos da ação e sua viabilidade. Lumoeda e Cubo Card juntos na empreitada pelo nascimento do “Amaro Card” e “Pinho Card”. Além do cronograma de ações planejados, como o mapeamento da cadeia produtiva de cada bairro.

O Edital de Tecnologia Social do BB esse ano também conta com a participação do Cubo Card. Criado pela Fundação Banco do Brasil, o Edital visa premiar bianualmente iniciativas de tecnologias sociais do país. Mais uma oportunidade de apresentar e replicar nosso sistema de crédito na cultura. Além disso, o cubo também entra no edital de premiação de empreendendores sociais, lançado pela Folha de São Paulo e a Fundação Schwab.

O Plano de aplicação do Sistema de crédito Cubo Card 2009 também foi finalizado recentemente e publicado no blog do cubo card. O plano pretende apresentar ferramentas para a organização das trocas de trabalhos realizadas pelos coletivos culturais. Numa postura didática, a idéia é simplificar a criação de um sistema de crédito, sem perder a complexidade do mesmo.

O projeto do Congresso Fora do Eixo já está bem encaminhado e contou com participações do Massa Coletiva para ajustar seu conceito e metodologia. Logo mais será encaminhado para todos os coletivos a fim de definirmos sua produção.

logo circuitoAs Tabelas de serviços e produtos de cada coletivo estão sendo produzidas e até o dia 15 de junho, já teremos o primeiro recorte da força produtiva do Circuito coletada. Estamos no acompanhamento e desenvolvimento em conjunto das mesmas, bem como cada coletivo da comissão Fora do Eixo Card e dos Pontos Regionais.

Ontem foi finalizada e publicada a ATA da reunião geral do CFE do dia 31.05 (domingo), disponibilizada pela lista do CFE e pelo fora do eixo tec.

O projeto dos APL´s Cuiabá e Uberlândia já foram cadastrados no SICONV e finaliza últimos detalhes para  o fechamento do convênio com o MINC e o Ministério da ciência e tecnlogia. Os outros APL`s articulados para o CFE como o Massa, Catraia e Lumo, já estão bem encaminhados.

O Prêmio Hell City é realizado nesse sábado. A produção a todo vapor pra garantir mais uma premiação de sucessopremio da nossa cena.

Auxílio na construção do projeto Festival Pequi Rock, do Coletivo Retomada, no plano de trabalho do Coletivo Goma, plano de trabalho para cobertura e edição audiovisual das noites fora do eixo e abrafin em recife, coleta de Fora do eixo card investidos nas web rádios dos Festivais Goma e Bananada...E por aí vai…

Entre outras atividades cotidianas, dias cheios preencheram a minha última semana, e sigo sempre contando com mais dias e dias nessa jornada.

Bora?

msn cfeMais uma ferramenta foi criada dentro do Circuito Fora do Eixo que serve como termômetro da interação entre os coletivos integrados à rede, em tempo real. É o grupo do CFE no messenger que além de servir para reuniões setoriais e troca de contatos geral, vem sendo o maior veículo de interação instantânea pró web rádios executadas pelos coletivos do Circuito. As programações AO VIVO (e agora diárias) vem atraindo a participação dos membros do Circuito auxiliando no aperfeiçoamento da rádio e aumentando a sua audiência. Na empreitada das web rádios, os coletivos Massa coletiva, Cubo, Lumo, Megalozebu e Reator capitaneam os desafios de manter as web´s cada vez melhores. E estão conseguindo.

As reuniões onlines também não páram de rolar, pelo msn do circuito. Temas como mapeamento, web rádio, web tv, festival, fora do eixo card e etc estão sendo bem explorados pela galera e os encaminhamentos se tornando cada vez mais ágeis.

Listas de discussões a cada dia se mostram mais eficientes, com a participação de vários grupos pela construção de atividades de cada coletivo, grupo, movimento… O Google Docs que hoje possibilita o trabalho em conjunto no mesmo arquivo, de modo instantâneoFerramentas da internet que sendo bem utilizadas, criam uma mobilização ímpar em prol da cena cultural. É o que vem acontecendo. As distâncias já não são mais as mesmas.

Saibam tudo o que está rolando nos Festivais Goma e Bananada pelas rádios (web´s) Fora do Eixo e Abrafin.

Hasta

,)

Um novo tempo

mb2Dias e mais dias enfrentando os desafios e as conquistas de novos tempos. Falta de grana a parte, a vontade de continuar lutando por uma rede crescente e cada vez maior pautada em princípios coletivos e solidários é o que nos motiva a cada dia. O que vem dando resultado, particularmente esse ano, em que o Circuito Fora do Eixo nunca esteve tão atuante por todos os atores envolvidos nos 33 pontos oficialmente integrados. Ao todo, cerca de 100 pessoas militando por uma cultura alternativa e solidária por todos os cantos do país. As perspectivas são as melhores possíveis e para nós, cubistas dessa luta há 07 anos, mais um sonho realizado.

O ano já começou com grandes iniciativas que provam a força da rede no potencial produtivo e de crescimento a olhos vistos. A pimeira delas é a tour do Cubo por vários desses pontos e para além deles, seja para palestras, oficinas ou shows (com Macaco Bong). Outra ação é a Web rádio fora do Eixo que atualmente rola Ao Vivo e conta com a veiculação de programas de todos os coletivos, além do acesso por todos eles. Sem contar nas coberturas de todos os Festivais independentes que já se torna cotidiano para as equipes coletivas da web rádio. O Grito Rock a cada ano, desde sua nacionalidade, vem motivando novos produtores e sendo um importante mobilizador para agregar novos pontos fora do eixo de todo o país. A Web Tv fora do eixo já galga os primeiros passos da produção coletiva e já almeja suas transmissões ao vivo, seguindo os passos da web rádio. O Festival Fora do Eixo já está sendo planejado por toda a rede e promete uma reconfiguração foda para sua realização no segundo semestre. Dessa vez, realizado não só em São Paulo, capital, como em todo o interior que conta com um coletivo integrado. O Fora do Eixo DSC08898Card já começou a mapear todos os serviços e produtos disponíveis na rede e estimulando a implementação de moedas complementares em pelo menos mais 5 coletivos em 2009, além do cubo card. Inclusive o Goma card do Coletivo Goma, será lançado semana que vem, dia 19 e conta com a palestra do cubista Pablo Capilé. O Congresso Fora do Eixo será realizado no Acre, durante o Festival Varadouro. Está sendo planejado coletivamente e já terá um grande salto nessa segunda edição. O Fora do Eixo discos já tornou oficial a presença de bancas fora do eixo em todos os eventos e ações ligadas à cena independente. A rede agora tem coordenadorias regionais em prol de uma maior organização do movimento. Recursos federais para projetos de arranjos produtivos locais já estão articulados para o Circuito e finalmente, o Portal Fora do Eixo foi premiado pelo Edital de Mídia Livre do MINC. Quer mais?

Pela primeira vez o Circuito inicia um mapeamento nacional da cadeia produtiva musical independente. Não preciso dizer o quanto isso vai gerar dados sólidos que só vem legitimar a força do movimento alternativo e independente mais famoso do Brasil. O projeto das noites fora do eixo tá sendo cada vez mais difundido e produzido por todos os coletivos da rede e o Circuito está prestes a ganhar sua nova Casa Fora do Eixo, agora em outro local (que não Cuiabá) e com um novo nome: PUFE (Pub Fora do Eixo). De Hell City diretamente para Recife. É isso aí.

Diante de tudo isso já dá pra imaginar o quanto a galera está trabalhando e olha que só estamos no primeiro semestre do ano. Imaginem o que vem por aí. Quando se aumenta o número de trabalhadores, aumenta-se também a quantidade de ações que podem ser geradas coletivamente, reduzindo o tempo, ou melhor dizendo, antecipando. Um dos princípios que o Espaço Cubo sempre lutou diariamente para manter. Além de potencializar a força de 05 pessoas em uma. A filosofia vem dando resultado e cada agente, sujeito, integrado a esse movimento, consegue reduzir o seu limite e ampliar cada vez mais a sua própria força de trabalho de modo criativo. Tá bonito de se ver. A inteligência coletiva combate qualquer pensamento provinciano e reducionista, calcado no egoísmo. Mal que nos assola por milênios. Só mesmo a força coletiva para gerar o auto-policiamento e fiscalização benéfica para a liberdade saudável do movimento e de seus indivíduos, permitindo que este esteja sempre a frente do seu tempo. E que venham os novos desafios…

Beijos.

Enfim, Hell City

Depois de um mês em “turnê cubana” pelo país, com direito a viagem internacional à Buenos Aires (Aliás,logo hell city 300 ponto de partida da tour), estou de volta à Hell City. E pra variar, “arrumando a casa”. É fato que por aqui, tudo exige mais dinamismo e seguramente não é o melhor lugar pra descansar. Mas depois de tanta viagem, um pouco de descanso merecido já me foi dado. De volta a rotina.

O primeiro passo foi pegar a chave de casa com a Gonça pra entrar, o segundo, as contas do Grito Rock (que para meu alívio, finalmente saiu a verba) com pagamentos encaminhados e o terceiro, o “conserto” da internet que mesmo paga, os caras da GVT não conseguem prestar o serviço decentemene. Aí já viu. Um dia inteiro só pra essa produção técnica que me desgastou pra caramba. Mas no final, depois de muita briga e com a segunda atendente, o problema foi resolvido. Momento de checar e-mails, feeds e novos encaminhamentos, além de lavar roupas (de um mês), limpar casa e etc.

xmen-origins-wolverineNo primeiro dia que pisei em terras cuiabanas pós tour, fui esperar a Gonça voltar pra sua casa (pra pegar a chave lá de casa) no cinema, assistindo X men origens: Wolverine. Confesso que esperava muito, mas muito mais. Primeiro porque o Wolverine é praticamente o fundador do “coletivo” X men. Sendo o mais experiente e um “auto didata” na arte de usar seu “dom mutante animal” para uma causa nobre (ele descobriu isso sem o professor Xavier), James (antes de ser wolverine) certamente merecia um filme melhor sobre sua origem. Especialmente quando consultei amigos que amam o gibi, tive mais certeza ainda que o filme não foi nada do que deveria ter sido. Enfim, paciência.

Também assisti o Vanguart no programa do Jô, na sexta. Falaram sobre o “exílio” do Hélio na Bolívia  “sustentado pela Vovó” (brincou o Jô), sobre a “fugida” de um traveco na beira da estrada e quase nada sobre o DVD recém lançado ou da trajetória da banda. Tocaram duas músicas (sendo a primeira deles e a segunda “pro jô”). E só. No sábado rolou Madame Saatan no Altas horas. Mais música do que entrevista, porém nos poucos momentos de fala, Samliz disse que a cena do Pará ferve e que vivem do jeito independente de ser. Serginho disse que eles vão voltar no programa. Foi bonito.

No mais, muita coisa anda acontecendo na rede independente mais famosa do Brasil: O Circuito Fora do Eixo e os trabalhos estão se tornando muito sólidos. Cada dia mais uma forma nova é dada à rede, incluindo a digital de cada coletivo. Tá bonito de se ver. Como dizia um novo amigo: “Somos despretensiosos na arte de dominação do mundo”.

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O Fotolog da Imprensa de Zine continua com a série “Blogs intimistas do cubo”. Hoje, Pele nova. Dá uma flagrada.

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Vamo que vamo.

Beijos

E o tempo não para!

Como sabiamente disse Cazuza, O tempo não para. Foi o primeiro pensamento que tive para descrever esses dias decamara-e-congresso maratona em “territórios estrangeiros”. Em Recife, após gerar um cronograma de atividades para a execução do PIMB PE com o alinhamento das bases de sustentação e gerenciamento do projeto, uma reunião final com o Lumo Coletivo para os encaminhamentos e reflexões finais acerca de todo o processo do CFE (incluindo o PIMB como um dos programas desenvolvidos por ele) e do desenvolvimento conceitual e prático de um Coletivo, foi a “saidêra” para iniciar mais um processo de formação e estruturação de Programas da Rede Fora do Eixo, junto ao “poder real”, em Brasília.

De malas (e roupas sujas) prontas, voamos de Recife para Brasília, onde continuei o caminho solitariamente (afinal, Pablo e Mari seguiram pra Hell City) ao encontro do Marcos (Tecnologia Social) e Talles (Goma) para iniciar mais um percurso: a Construção de um modelo de Arranjo Produtivo local (APL), para ampliar a estruturação do Circuito Fora do Eixo.

Tenho que confessar que os dias estão intensos no trabalho da “modelagem” e criação de um corpo estrutural ideal para a formação coletiva cultural de maneira transversalizada com a economia, educação e tecnologia social. Tecnologia Social é um termo que estamos debatendo muito por aqui. De fato é uma “arma” extremamente condizente com o processo que estamos estabelecendo, pautado numa essência caracterísica de um rizoma, ao invés de uma raíz. Um rizoma que está sempre VIVO pra se remodelar e se resignificar, em constante movimento, independente do início e do fim.

atitudeO processo de construção dessa plataforma de arranjos produtivos locais tende a nos trazer mais uma ferramenta propulsora do estímulo a ser depositado em nosso Banco solidário. Estou certa disso. Amarrando aqui e ali, em menos de um dia já conhecemos o Ponto de Cultura Atitude na Ceilândia que  utiliza o HIP HOP como elemento de mobilização, desenvolvimento social e auto-gestão. Os caras já possuem 03 sedes muito amplas com toda estrutura e equipamentos necessários para a criação de um Banco popular, incluindo a força de trabalho coesa, com 12 pessoas dedicadas integralmente às ações do coletivo. Certamente entra na rota do PIMB.

Outra “descoberta” sensacional é a da Oscip “Programando o futuroFuturo” com desenvolvimento de tecnologias sociais pautadas no recondicionamento, reciclagem, inclusão digital e agricultura familiar. O Vilmar é uma liderança “tranquila” e sábia que está totalmente afim de intercambiar tecnologias de gestão com o Circuito. Mais uma parceria construída, que aliás, já começou com o programa APL que estamos construíndo. São os arranjos…

Todos os detalhes da proposta APL estão sendo pensados, decupados, valorados e conectados a uma perspectiva antropológica de política pública sócio cultural, porém, despretensiosa. E assim, “novos rumos” virão…

P.S: Estou encubada por esses dias aprendendo mais…

Beijos

criancasFinalmente conhecemos o Espaço Cultural de Santo Amaro, localizado na comunidade de João de Barros, do bairro Santo Amaro em Recife. A história dele é muito significativa, especialmente pros adeptos do conceito artista igual pedreiro. Foi com os próprios braços que a galera da comunidade ergueu a estrutura e usando a criatividade artística, driblaram problemas políticos e sociais. Um exemplo pra qualquer um. Só querer enxergar. Não foi difícil entender o porquê de acreditarmos que ali será um bom espaço pra receber o Banco Popular de Santo Amaro: estrutura sólida e força de trabalho comprometida, independente do R$. É tudo o que precisa pra se implantar um sistema de crédito solidário. Edvaldo, Tito, Marco, Fernando (lideranças da comunidade) e nós, “cubanos”, saímos da reunião convencidos disso. O segundo passo foi discutir com o Lumo Coletivo (Gabriel, Carlinhos e Henrique, na ocasião) e a Tati da Fundarpe, na terça feira e por último, convencer o Fórum de Santo Amaro, na quarta. Tudo certo. A configuração se amarrou com o Espaço Cultural e a equipe dele, além do conselho gestor do Banco formado por um representante de cada comunidade do bairro. No próximo fórum, será retirado os nomes para a formação do conselho.

Paralelo a isso, elaboramos os formulários de pesquisa para aplicação nas comunidades afim de prosseguir com a segunda etapa do processo de implementação dos bancos populares. Após as fichas técnicas com as informações gerais sobre os bairros e os “nós” de cada comunidade, agora é mapear o comércio, entidades e moradores checando a “riqueza produtiva” que cada bairro tem a oferecer para o Banco Popular, bem como a aceitação da população para receber o mesmo. Vai ser muito bacana iniciar essa fase e checar os resultados.

Hoje a reunião foi na Fundarpe, com a Ong Alto Falante do Alto Zé do Pinho e tiramos como primeiro passo acanibal elaboração de um projeto com decupagem e orçamento das necessidades iniciais para a formação da sede. Após a execução da sede Alto Falante e do Banco Zé do Pinho, a aplicação da pesquisa na comunidade. A coisa está caminhando a passos largos e o estímulo é cada vez maior…

Ontem fomos para o IRAQ (casa cultural do Evandro – também da fundarpe, do setor de música, parceiro do Rafa). A casa é muito massa. Bem alternativa e intimista. Foi lá que nos unimos ao Lumo, Rafa, Evandro e Coquetel Molotov para a discussão já inciada, do PUFE (pub fora do eixo). A novidade é que ontem se amarrou a história com o Lumo em parceria com o Rafa e o Evandro, na nova empreitada. Depois de uma discussão produtivíssima, o martelo final ficou pra uma outra reunião, com o restante dos membros do Lumo presentes. Mas já é um fato. Tanto que o Rafa foi embora feliz, descansado. rs. E a gente se manteve lá por uma discussão da ABRAFIN que já deveria ser um ponto morto, mas os opositores equivocados estão sempre atrasados na discussão...

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“Mesmo com o escudo virtual, verdade seja dita: a Realidade sempre tem que se travestir de ilusão para aparecer. Talvez seja o princípio da crise. E para superar uma crise, já disseram os magos, é necessário superar a contradição existente nela. Só assim há o movimento, a ação e atuação. Uma vez superada, todas as verdades se abrem em prol de movimentos visíveis que apontam em uma direção. E a escolha de seguir é sempre de cada um. A teoria da comunicação disse uma vez que os indivíduos não são massa de modelagem. Impossível se tornarem seres amorfos ainda que a mídia assim seja.  O meio que é a mensagem se torna a voz que cada indivíduo escolher. O indivíduo sempre escolhe ser ou não ser. O problema é morrer sempre no “eis a questão”. E o escudo da indecisão torna cada um, mecanizado. Não sabendo de nada, todo mundo duvida de tudo e duvidando, tudo sabe. Eis a contradição do ser ou não ser. Melhor a resolução do ser e não ser, depende da questão. Mas hoje, justo agora, o subjetivismo se traveste de alienado para expelir a alienação que de fato traz. E por hora descondicionado, repete a dúvida sabendo que não existe resposta sem o fazer. Afinal, não há verdade que o comportamento não revele, já dizia…”

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Até amanhã.*

Rindo com Veríssimo

luciana1Dias de finalização do ante projeto de implementação de bancos populares em duas comunidades de Recife  (já dito aqui) e as fichas técnicas com a primeira etapa do mapeamento dos bairros. Hoje fomos à Fundarpe ajustar o cronograma da semana junto ao Rafael (Coordenador de música) e a Tatiana (do Departamento de Projetos Especiais). Passamos toda a tarde lá e um pedaço da noite, já que amanhã é feriado e não terá trabalho na Fundarpe. Por sorte, conseguimos encontrar a presidente da Fundação, Luciana Azevedo (uma das mulheres mais fodas que já conheci) e fechamos a única coisa que faltava: uma reuniao final com ela. Bom, depois de todo o trabalho, fomos ao Shooping Boa vista pra tentar assistir ao filme brasileiro Divã que estreiou sexta. Porém, nunca vi tanta gente concentrada em um mesmo lugar. rs. Ficou impossível. Voltamos pro hotel.

Lendo e-mails pessoais, recebi de uma amiga um conto engraçado e perspicaz (como sempre) do Luiz Fernando Veríssimo que quero compartilhar por aqui. Nos dias de hoje, em que a violência é pico nos assuntos sociais, vale a pena saber como tomar medidas inteligentes sem alardes, como nos diz sabiamente Veríssimo:

Aprenda a chamar a polícia… Falando em desarmamento…

Eu tenho o sono muito leve,
e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no
quintal de casa.
Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham
lá de fora,
até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro.
Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas
internas nas portas,
não fiquei muito preocupado mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali,
espiando tranqüilamente.

Liguei baixinho para a polícia informei a situação e o meu endereço.

Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por
perto para ajudar,
mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.

Um minuto depois liguei de novo e disse com a voz calma:
Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal.
Não precisa mais ter pressa.
Eu já matei o ladrão com um tiro da escopeta calibre 12,
que tenho guardado em casa para estas situações.
O tiro fez um estrago danado no cara!

Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia,
um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos
direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.

Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara
de assombrado.
Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.

No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão.
Eu respondi:
Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.

Por hoje é só.

Beijos.

Sábado era o dia do retorno cubista à Hell City, porém, devido ao intenso comprometimento ao novo projeto que estamos encampando em Recife, um novo acordo foi feito para a continuidade dos trabalhos com os Bairros Santo Amaro e Alto Zé do Pinho. Passagens mudadas pela segunda vez, dia 29 podemos dar garantias da nossa volta. (Isso se…)

Bom, definida a etapa inicial, produzimos duas fichas técnicas de cada comunidade, levantando informações banco-popularpertinentes ao projeto de implementação do Banco popular pautado nas moedas solidárias Cubo Card e Palmas, construindo ainda um ante projeto para apresentar à Fundarpe e Lumo Coletivo. Logo mais estará tudo disponível no cubo tec.

santo-amaroNa quinta, participamos do Fórum da comunidade de Santo Amaro, mediado pela Tatiana da Fundarpe. Tatiana é uma psicóloga social que trabalha no departamento de Projetos Especiais (DPE) da fundação e estará junto com a gente nesse empreitada. O fórum foi muito bacana, especialmente por perceber a leitura perspicaz de vários representantes da comunidade. Fiquei surpresa com o “Tonho das Olindas”, figuraça, muito inteligente e adepto da metodolgia do Paulo Freire na educação. E vários outras pessoas ali com bastante consciência da realidade. O Edivaldo é outro destaque. Grande liderança. Foi o momento oportuno para apresentar a proposta e trazer a comunidade pra perto, apostando nos trabalhos do “Amaro Card” já sugerido no Fórum pelo Edivaldo. O Lumo coletivo, como de praxe, também estava presente no Fórum a se apresentaram como braços permanentes da proposta junto à comunidade. A artir dali, tirou-se uma comissão mais enxuta para a coleta de informações do bairro para a primeira etapa do mapeamento.

No outro dia, às 10 (com um pouco de atraso do motorista que nos buscou), reunimos com a Tati, Lumo e a comissão, coletando as primeiras informações da Ficha Técnica de Santo Amaro. Logo depois, almoço com a Cíntia, (braço direito da presidente da fundarpe, Luciana) liderança do coletivo Candace (Coletivo Nacional de Lésbicas Negras Feministas e Autônmas) e com a Tati. Ambas nos pediram para conversarmos mais sobre nossa experiência e modelo de gestão, afim de inciarmos mais uma parceria. Muito bacana.

Logo após o almoço, o reencontro com o Rafa que tinha ido à reunião da Feira de Música Brasil no Rio de Janeiro. Conversamos com ele sobre tudo o que aconteceu em sua ausência de 03 dias e foi então que veio a idéia de adiar a nossa ida pra Hell City (que aconteceria hoje) para daqui há 10 dias… Fomos direto ao Carlos (diretor de políticas culturais da fundação), apresentamos o ante projeto e feito! Agora é continuar…

abrilrockÉ chegada a hora de voltar para o hotel e se arrumar para ir pro Abril Pro Rock, em seu primeiro dia. Em 40 minutos o Henrique, do Lumo Coletivo, veio nos buscar. Finalmente eu conheceria de perto este famoso festival capitaneado pelo nosso parceiro de ABRAFIN, Paulo André. E pra ser sincera, esperava mais. O Chevrolet Hall é um lugar pronto que já tem uma estrutura própria pra shows. O que ajuda muito. Dois bares, cobertura fechada, banheiros, bilheteria com catraca, arena com boa acústica e visão ampla para os palcos de qualquer lugar. E por falar em palcos, nunca tinha visto o modelo tradicional de “Palquinho” pras “bandinhas” e “palcão” pras “bandonas”, um do lado do outro. Certamente é relevante a idéia de que esse símbolo nos dá uma sensação hierarquizada das bandas e não achei nada agradável assistir aos shows assim. Visto de longe, o “palquinho” parecia uma caixinha pendurada no alto com uma banda dentro. Só o “palcão” dava uma sensação de se estar apreciando um showzão. Isso não quer dizer que as bandas da caixinha não fizeram um showzão, ou que não sejam grandes bandas e nem que o som não tinha qualidade (antes que alguém reclame). E já que falei das bandas, o primeiro dia não foi o de um estilo que me agrada muito. A grande atração da noite foi Motorhead e talvez pelo mesmo motivo (o estilo) também não achei nada demais (apesar de já me contrariar com isso, como por ex, o um show do Subtera). É claro que tava tudo perfeito: som, banda e especialmente (o que mais me chamou a atenção), as milhares de pessoas curtindo fervorosamente em frente ao palco com seus celulares e câmeras registrando cada movimento. Cheguei a comentar com a mari que ali se concentrou o maior número potencial de mídias independentes de Recife. rs.

No mais, o espaço tinha 09 estandes (entre eles o da ABRAFIN) sem muita variedade e não vi praça de abrilalimentação, só do lado de fora (que aliás tava movimentado com um comércio alimentício independente). O funcionamento dos bares também não pareceu tão organizado com a falta de fichas. Comprando na hora e recebendo o produto, a equipe precisou ser 03 vezes mais ágil pra atender a demanda e com a falta de fila o lance era ganhar no grito (nos momentos de pico) pra ser atendido. rs. Sobre o backstage, nada a declarar pois não entrei. Isso porque a banda da noite restringiu. Por dedução deveria ser um camarim do Motorhead com todas as suas exigências. E confesso que a presença de tantas pessoas pagando R$ 60,00 (preço do cambista lá fora para a inteira) me surpreendeu, já que a maior reclamação dos produtores de recife é que aqui, ninguém paga para assistir aos shows da bandas independentes. Com certeza a justificativa deve ser o Motorhead. Mas pensando matematicamente, se cada show por fim de semana (quatro dia) fosse R$ 15,00, o público pagaria muito bem (na média dos shows independentes do país) e curtiria mais bandas o mês inteiro. Fanatismo esquisito esse por determinadas bandas, a ponto de não apoiar a cena local. Uma coisa é fato, é preciso mudar essa cultura.

No mais, fico por aqui.

Beijos.

Um banco do estímulo

selo-cubo-card-moeda-financiadora1Aconteceram muitas coisas bacanas e muito estimulantes durante esses dois dias sem atualizar o blog. Vou tentar resumir as idéias e ideais, bem como proposições que alimentam o banco do estímulo ao trabalho coletivo. No nosso caso, financiado pelo Cubo Card.

Chegamos (de João Pessoa) em Recife para mais uma vivência junto ao Lumo, Fundarpe, Alto Falante e Santo Amaro, da construção de um  processo coletivo no nordeste. Essa foi a proposta da Fundarpe pra nós do Cubo: trabalhar a construção de uma organização coletiva que utiliza da moeda solidária própria pra se auto sustentar. Ou seja, um projeto de 08 anos pra gente, pra ser construído em menos tempo no Alto Zé do Pinho e Santo Amaro. Grande desafio.

É claro que vamos trabalhar os passos que garantam o suporte primeiro, para posterior criação da moeda. O que significa ter um grupo coeso, estimulado a trabalhar, uma sede com equipamentos e serviços iniciais pra garantir os projetos da comunidade, o mapeamento do máximo de comércio e força de trabalhado potencial em cada bairro, bem como um exercício da troca entre grupos já existentes, para a constante conexão e debate entre as organizações culturais que estão voltados para essa perspectiva.

O Coletivo Lumo certamente deverá dar a manutenção e o subsídio necessário (em força de trabalho = Lumoeda) para que a coisa caminhe, no dia a dia. A Fundarpe investindo na Lumoeda (força de trabalho do Lumo) pra que a coisa triplique e a partir daí, com as atividades crescendo e ganhando “corpo” na comunidade, exista segurança e a sustentação dessa força propulsora do Bairro, tornando o terreno propício para a criação do Banco de Estímulo (Banco de trabalho) da própria comunidade. A matemática criada é a da Lumoeda e a “Moeda pinho” (Alto Zé do Pinho) como principal sustentabilidade de ambos os coletivos, já sem a necessidade exclusiva do poder público para a sua continuidade. Ou melhor, transformando o “mecenato do poder público” em mais uma troca de trabalhos, o que gera a descaracterização do estado paternalista. Uma co-relação de forças que cria o mercado interno auto sustentável.

Nosso cronograma desses dois dias se pautou na criação de conexões entre a cena musical de recife e no mapeamento do bairro Alto Zé do Pinho, além da discussão com a equipe da Funarpe e Lumo,  para criação do plano necessário. Através de filmagens e reuniões, desenvolvemos fichas técnicas que vão nortear o plano de trabalho a ser apresentado pra Fundarpe. Em poucos dias comento mais por aqui. Ainda tem a visita à Santo Amaro, que começa a partir de amanhã.

Hoje, na casa da Laura do Lumo, uma conversa sobre o Cubo Card com o pai dela, o sr. Itamar (gente boníssima ) fez uma boa pergunta digna de reflexão: Qual a diferença desse banco de estímulo que emite moeda igual ao banco tradicional? Vale a pena pesquisar mais sobre os efeitos e consequências desse “novo banco” para responder a tal pergunta. No entanto, pelo fato de vivenciar a nossa experiência, noto que num primeiro momento, o fato de se colocar na rua uma moeda que não é “oficial”, significa que tem emprego (trabalho) sendo gerado e remunerado que não passa pelas mãos do banco tradicional. Dessa forma, certamente estamos “tirando” uma fatia desse bolo que é gerido exclusivamente pelas diretrizes do Estado e trazendo para a gestão do mercado social não tradicional. Com a multiplicação desses “mercados internos alternativos”, com essa “conta” não passando pelo controle estatal, certamente não é o Estado tradicional que estaremos alimentando e sim, no mínimo, um estado compartilhado entre as organizações sociais ativas e com princípio de cooperação e troca solidária. Num segundo momento, o método do coletivo invariavelmente exercita a prática do “abdicar” daquilo que é “prazer pautado na aquisição puramente material e estética” e trocar pelo prazer daquilo que é pautado pela liberdade do conteúdo autoral. Isso caminha ainda para a prática do ser ao mesmo tempo “patrão” e “empregado” das atividades de autoria própria. A moeda solidária estimula os indivíduos (e grupos) a gerarem um auto financiamento bem como a troca entre outros grupos auto financiadores, de maneira a não condicionar nenhum grupo, ao outro. Ao contrário do que acontece no mercado tradicional. Acredito ainda que a moeda complementar valoriza trabalhos normalmente desvalorizados no mercado tradicional, em igualdade de condição.

No final das contas as trocas solidárias estão acontecendo o tempo todo em várias situações, até mesmo despercebidas e não vejo nenhum mistério. Potencializar essas trocas, organizando de maneira sistêmica e provocando sua ação integral no dia a dia de maneira permanente, promove uma mudança cultural pró descentralização dos poderes e “riquezas” pré estabelecidas.

É claro que pra se derrubar um conceito praticado pelo todo, é necessário romper com seus pilares de sustentação e isso não se faz ao mesmo tempo, mas passo a passo, preocupando-se em construir e manter um pilar novo a cada um destruído. Seria isso uma teoria de Foucault? (Fucô). rs. Aquela da desterritorialização… Bom, mesmo sem conhecer a fundo as teorias, não é que elas permeam na nossa prática de alguma forma? E aí vem a velha maneira maniqueísta de se enquadrar duas perspectivas distintas. Por enquanto, sem nenhuma pretensão, já é muito melhor trabalhar com a flexibilidade cultural antropológica de construção e sobrevivência nesse mundo, do que a vida chata das 8:00 às 18:00 com um patrão non sense deixando velado ou claro que se tu fugir às regras, fica sem o seu “ganha pão”. Se este lado é capitalista e aquele é socialista? Não sei. Mas é fato que aquele é o que me deixa feliz.

Amanhã eu continuo.

Beijos.

João Pessoa é uma bela cidade. Saímos de um hotel no centro pra curtir uma pousada perto da praia e mesmo que não tenhamos (mais uma vez) curtido o mar, valeu a pena. Um ambiente mais “caseiro” e intimista perfeito para o que precisávamos.

mundoO primeiro dia em João Pessoa foi de mesa redonda com o Espaço Cubo, Coletivo Mundo, bandas e produtores locais da cena musical. Em um bate papo que durou das 15 às 20hrs, muitas questões foram debatidas sobre a cena, abrafin, circuito, cubo e o coletivo mundo. Sobre a curadoria dos festivais independentes, um músico da MPB local conhecido como Escurinho fez uma provocação pouco embasada que mexeu com os ânimos dos presentes. Ele alegou que os produtores dos festivais independentes são burros por não escalar na sua programação outros estilos além do rock.

Para quem conhece o mínimo dos festivais já sabe que as programações se diversificam bastante e que isso é recorrente da própria demanda da classe musical. Oras, o Brasil ficou reconhecido internacionalmente no âmbito musical através da MPB, lá na década de 60, 70. E desde então, nenhum festival de MPB se sentiu na obrigação de “abrir” seus horizontes para o rock, por exemplo. E os artistas da MPB menos ainda se preocupavam com essa “burrice”. Por isso, o movimento inependente que nasceu essencialmente do rock, surge para preencher tal lacuna. Ou seja, clarmente a colocação do Escurinho é uma inversão do contexto histórico musical. Mas, há males que vem pra bem e quando não vem, temos que tirar um lado bom da história. A partir dessa provocação, a galera toda ali reunida em prol de uma maior organização e conexão em rede com a cena independente brasileira, saiu ainda mais fortalecida com a visão de que haverão sempre àqueles que vão preferir destruir do que construir e por isso mesmo, uma organização forte e comprometida é extremamente necessária para o desenvolvimento de qualquer cena local. Eis a pré disposição do Coletivo Mundo.

Adentrando nos meandros da organização do Coletivo mundo, a galera apresentou uma proposta que a princípio, deve nortear a organização. Contendo um estúdio de ensaio, o Festival Mundo, a casa de shows Espaço Mundo e os núcleos de comunicação e de tecnologias, surgiu uma análise maior em cima da divisão do administrativo financeiro alocado em cada um dos setores produtivos ao invés de um núcleo próprio central. Essa divisão acarreta inclusive, numa separação financeira das atividades.

Através de muito debate, Pablo levantou uma série de problemáticas que poderiam surgir a partir dessa configuração para uma reflexão do coletivo. O que também me fez refletir: Normalmente as pessoas tem uma visão do administrativo financeiro como um cargo burocrático e de “caixa registradora”. E mesmo que essa leitura possa fazer algum sentido em muitos casos no mercado convencional, para um coletivo não cabe. Um administrativo financeiro deve em primeiro lugar, ter um papel unificador das células produtivas coletando força de trabalho e o que gera dele em números e proposições. Em segundo lugar, entender o conceito de cada atividade planejada afim de decupar e destrinchar cada ítem necessário para traçar a viabilidade de sua execução, garantindo essa execução com todas as ferramentas possíveis. Ou seja, tem o papel fundamental de fazer com que um planejamento saia do papel e se torne realidade. Para isso, um bom trânsito entre as células produtivas e de planejamento, além do estudo constante de alternativas são fundamentais pra gerar a auto sustentabilidade. Foi nessa perspectiva que surgiu o Cubo Card como a principal alternativa de viabilidade dos projetos do Cubo, reduzindo os custos em real que sempre foram difíceis de se conseguir no mercado cultural. O Cubo card trouxe esse equilíbrio se desdobrando em alternativas para outras inúmeras questões da entidade. Sempre na perspectiva de garantir a realidade dos sonhos (em comum) planejados.

pablo-mundoOperacionalmente, setores produtivos com funcionamento fechado seguindo a linha receita – custos = lucro, nada mais são que empresas privadas do mercado tradicional.  E convenhamos, difícil de ser aplicado na cultura independente que mantém a duras penas um mercado da música autoral. Pensem comigo, se eu tenho uma Casa de shows que existe para garantir a circulação de bandas independentes, o intercâmbio de cenas locais e etc, em muitos momentos, devo priorizar que isso aconteça ainda que não seja “rentável”, a grosso modo, ainda que não pague as contas. Por isso mesmo preciso ter um outro setor produtivo como um estúdio, funcionando no mesmo conceito que além de qualificar e reunir as bandas independentes, pode gerar um lucro devido aos custos de manutenção serem menores que o da Casa de shows. Se eu não tenho a flexibilidade de usar os recursos do estúdio na casa, gerando um equilíbrio nessa relação, acabo engessando o propósito comum do coletivo que é botar todos os projetos para funcionar. Além disso, se torna uma relação pautada no dinheiro, ao invés do trabalho, uma vez que se no estúdio é “mais fácil” produzir lucro do que na Casa, subentende-se que a galera do estúdio esteja trabalhando mais do que a galera da Casa, o que não é uma fórmula coerente com a matemática coletiva. Na prática, o estúdio garante a sobrevivência dos trabalhadores dele, mas os da Casa ficam comprometidos, ainda que todos trabalhem o mesmo tanto. Certamente já temos motivos de sobra pra gerar conflito interno.

É por isso que simbolicamente e praticamente, penso que um administrativo financeiro central que aglutina os setores produtivos e os conectam com o planejamento do coletivo garante uma organização compartilhada e não engessada para cobrir as lacunas demandadas dos setores sem parar a produção das atividades, ao contrário disso, possibilitando a ampliação das ações sem gerar conflitos desnecessários e privatistas. Afinal, estamos falando de um coletivo. É claro que com o conceito bem amarrado, a questão dessa célula ser separada é uma mera questão de metodologia que a meu ver, exigiria um nível de organização muito maior do que o de quem está no início da sua história enquanto um coletivo. Afinal, é separar para 5 o trabalho de 1, num primeiro momento, ao invés de estimular que 1 faça o trabalho de 5. Essa matemática também deve se fazer valer num coletivo que afinal, combate a idéia do funcionalismo e exalta a idéia do protgonismo.

Reflexões à parte, a discussão rendeu um norte importante para o segundo dia: A união dos coletivos representantes do Nordeste como pontos Fora do Eixo. No caso, reuniram-se o Lumo (Recife), o Mundo (João Pessoa), o Noize (Natal) e a Rede Ceará de Música (Fortaleza) junto ao Cubo (cuiabá e CFE) para estreitar a relação entre os coletivos, estabelecer a continuidade dessa conexão bem como o desenvolvimento das atividades dentro do Circuito, enquanto pontos fora do eixo. todo-mundo

Após a reunião, tocamos em frente (de volta) para Recife com a Laura e o Gabriel do Coletivo Lumo para iniciar o trabalho em parceria com a Fundarpe: o de mapear e apresentar propostas de desenvolvimento cultural nos bairros Alto Zé do Pinho e Santo Amaro. Chegamos às 23hs em Recife, comemos e dormimos.

Hoje fomos com o Rafa (Fundarpe) visitar o Alto Zé do Pinho e falar com a principal liderança de lá: o Canibal (da banda Devotos). Mari não pôde ir porque está doente há dois dias e optou por descansar pra se recuperar (Culpa de um certo hotel. rs). Mas tivemos um bate papo que foi muito interessante para entender o princípio que norteia o desenvolvimento ali no bairro. Filmei tudo. Após o bate papo, marcamos uma reunião já para amanhã com o Coletivo Lumo também presente para que acompanhem o que for trabalhado dentro do bairro. Amanhã será o dia para coletarmos as principais informações entre comércio, população e projetos desenvolvidos ali até então, além das maiores dificuldades e facilidades ali presentes. Com essas informações, dar início à nossa proposta para a Fundarpe.

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** Comecei a ler um livro, volume 1, sobre a ECOSOL (Economia Solidária), que reúne vários artigos sobre o tema que vão desde o princípio da Economia Solidária ao desenvolvimento da mesma no Brasil. Pelo pouco lido já vi que há quem considere que a economia solidária se enquadra no socialismo utópico conceituado por Marx. Vou falando mais por aqui depois.

** Nessa tour pelo Nordeste, quase não fomos à praia.  Ainda bem que no nordeste não tem só ela de interessante. rs

** Estamos hospedados no mesmo hotel que ficamos quando estávamos aplicando a oficina aqui em Recife. Marolinda Cult Hotel. E tem gente que diz que ele fica em Boa Viagem, outros que fica em Pina…se alguém tiver certeza de onde fica, me avise.

** Vamos assistir ao show do Motorhead no Abril pro Rock. Mas não o do Vanguart. Queria mesmo era assistir Macaco Bong.

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Beijos e até amanhã.

Em João Pessoa

Em menos de 15 dias, já são 03 lugares diferentes do nordeste que conhecemos com um pouco mais de vivência. Acabamos de sair de Fortaleza, no Ceará e já estamos na Paraíba, em João Pessoa. O Brasil é mesmo muito grande e só no Nordeste ainda faltaria muito pra viver tudo, mesmo em maratona como estamos.

centro-de-negocios-do-sebrae-ceA oficina em Fortaleza foi mais uma oficina muito bacana que culminou no desenvolvimento do organograma, decupagem e visualização de serviços e produtos pra troca, confecção e aperfeiçoamento das mídias independentes e a criação de uma rede de música do Ceará. Após a finalização da oficina, ainda aprofundamos um pouco mais no “esquema” de desenvolvimento da Pró Disc, através do organograma criado e na dinâmica necessária para a ampliar as atividades da entidade com os artistas locais, pautado na troca constante. Foi bacana perceber o estímulo de uma galera já bem experiente e estruturada, na renovação do seu método e dinâmica. Certamente uma parceria sólida no Ceará se desenvolveu ali. Fica um agradecimento especial à Valéria, Ivan, Andreza, Thaís, Rafaela, Poli e toda a galera da Pró Disc que nos recebeu muito bem.

Mais uma viagem gostosa num ônibus leito com destino à João Pessoa. Por aqui o cronograma é mesa redonda e palestras junto à galera do Coletivo Mundo. No caminho da rodoviária para o Hotel Lagoa Park, Carol e Rayan virem nos contando da grande novidade: o Espaço Mundo – casa de shows e um centro cultural do coletivo. Boa notícia! Ficamos no Hotel, apagamos e lá pelas 16hs fomos à praia (à uns R$ 15,00 reais do Hotel), comemos peixe e molhamos os pés no mar. Não gosto do esquema praia-farofa-sol-bronze, até porque minha condição não me permite (rs). Até pelo banho, prefiro água doce. Mas a beleza do mar é inegável. Até mesmo sentar na areia, vendo um pôr do sol, sussegado… Ainda não vivi essa experiência por essa tour, mas logo faço isso e conto por aqui.bxk22395_praia-bela-jpessoa-pb800

Hoje finalmente digitalizei e organizei as listas de presença da oficina que demos em Goiana (PE). Agora temos mais 40 e-mails pro nosso mailing. Da oficina de fortaleza, fiquei de pegar com a Valéria. E de João Pessoa ainda vou coletar. Mas seguramente teremos quase cem mails novos pra nossos informativos, ok Dríade? Passo tudo pra você assim que finalizar.

Eu e Mari iniciamos um método documentário pras filmagens nessa tour pelo nordeste. Ouvir a história do Ivan sobre o início da Feira e da Pró Disc foi muito bacana. Mas chegamos à conclusão de que é necessário mais dias para coletar tudo. Daremos continuidade com outros personagens durante as viagens. O esquema documentário é muito bacana, ainda que seja aplicado como um ensaio ou pesquisa prévia. É o grande início.

Hoje Fico por aqui, depois de amanhã tem mais.

Saudades de Cuiabá, crêem nisso?

Beijos.

fortaleza11Depois de 12 horas de viagem, de Recife à Fortaleza, num ônibus leito (maravilhoso!), chegamos em mais uma cidade praiana do Nordeste prontos para mais uma maratona de oficina. Por aqui quem nos traz é a Prodisc (da Valéria e Ivan, realizadores da Feira da Música) que estão em parceria com o Sebrae local. Chegamos às 7 da matina, tomamos café na pró disk e aproveitamos para conhecer a sede, que por sinal, é super estruturada. Depois do café fomos direto pro hotel Plaza Praia Suítes (extremamente aconchegante) que fica do lado do mar. Às 14, de volta à Pró Disk para o primeiro dia de oficina. De público diverso (desde a música à ong a cultura negra), o primeiro dia segue como o planejado: histórico e apresentação do nosso modelo de gestão. O Feedback do primeiro dia já foi bastante satisfatório com as pessos estimuladas a dar um “up” na sua pópria história cultural. Aí foi o momento do bate papo que se estendeu até as 20hrs. Em seguida rumamos para um bar-restaurante para comer carneiro e um tipo de arroz típico da cidade (e já que o meu paladar é o mais tradicional possível, tipo arroz, feijão, bife e banana frita. rs, não deu muito certo, mas o carneiro…uma delícia!). Discutimos filmes, cena, Lula, Obama, bairrismo, comsmopolitismo, turismo e etc. Tudo lindo!

No dia seguinte acordar, finalizar o novo projeto do Cubo Card 2009, tomar café da manhã e seguir para uma mesa redonda preparada por um canal de TV local para nos receber. O tema da mesa redonda era o cubo card. Ivan, Pablo, eu e Mari participamos do debate e claro, toda a cena independente foi discutida em 05 blocos. Apesar de fazer um esforço pra controlar minha timidez, deu tudo certo. Um esquema bem profi. Em seguida, oficina novamente. No segundo dia, um esquema um pouco diferente do adotado em Recife. Dividimos grupos de planejamento, card e comunicação. No grupo do cubo card trabalhamos o organograma da Prodisc e do Vidarte (grupo de dança), além de apresentar o projeto do Cubo Card para uma provável implementação da moeda complementar. Em seguida, o exercício da tabela de serviços e produtos pelos grupos para ser finalizado e apresentado amanhã. Mais uma vez, a oficina foi além do horário previsto. Bom sinal.

Dessa vez, rumamos direto pro Hotel. Eu e Mari mudamos nosso quarto (por conta da internet) e agora o 504 é que nos acomoda. rs. As oficinas estão sendo muito produtivas e nos dando mais bagagem para mapear o cenário cultural do nordeste, os protagonistas, anseios e enxergar os pontos comuns que os relacionam. Além disso, saber que podemos contribuir para a construção de um contexto alternativo, democrático que impulsiona o crescimento de maneira coletiva é sempre muito animador. As pessoas acabam precisando só de estímulo para valorizar a sua própria força de trabalho e ampliar suas ações. É nessa pegada que vamos seguindo…

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** O Fotolog da Imprensa de Zine está sendo atualizado com os blog´s intimistas do Cubo. São blog´s de todos os trabalhadores do Instituto, como esse aqui, que conta o dia a dia de uma maneira pessoal. Hoje, está atualizado com o Cubo da Luta, da Mari. Acessem!

** Hoje é a final do BBB. Entre Priscila e Max, qualquer um que vencer, tá valendo. E apesar de nos últimos BBB´s (do ano passado e esse) não ter construído um grande favorito, entre todos, os dois e a Josi ganharam minha torcida.

** Logo logo o blog do Cubo Card estará atualizao com os reslultados de todas as oficinas. Só dêem um tempinho pra gente respirar. rs.

Fico por aqui. Beijo galera.

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Garimpando em Recife

torreLocalização da Torre Malakoff pelo google maps

Hoje foi o dia da palestra do Espaço Cubo na Torre Malakoff (patrimônio público) dentro do projeto Observa e Toca realizado pela Fundarpe (já mencionada por aqui). Para um público de aproximadamente 30 pessoas, Pablo Capilé como sempre, ganhou a platéia e teve a oportunidade de difundir nosso case pra novas pessoas. Na ocasião ainda assistimos ao show do Dj Dolores, que particularmente sempre tive vontade de assistir desde que ouvi a coletânea do Abril pro Rock 2005. Muito bom.

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Pablo Capilé em ação

Saímos da Torre e fomos tomar o tradicional “Maltado (leite com nescau e canela) de Recife com a Aline, também produtora do Coquetel Molotov. Aí discussões intermináveis sobre a cena independente musical rolaram a solta: Abrafin, Circuito, Festivais, bandas e etc etc etc. Sempre muito produtivo. Em seguida fomos para um bar (acho que o nome é “Burburinho”) localizado entre ruas históricas da cidade, junto ao Coletivo Lumo.

Dizem que é nas rodas de bar que surgem as melhores idéias e mesmo que essa máxima não se confirme pra nós (até porque passamos pouco tempo nelas), foi na roda de bar que surgiu a idéia do “PUFE” – o Pub fora do eixo gerido pelo Lumo em Recife. Depois da famosa CAFE (Casa Fora do Eixo) em Hell City, será que teremos o PUFE de Recife? Tudo indica que sim! A idéia foi plantada logo depois do James (do Coquetel Molotov) levantar o diagnóstico de que é só uma Casa de shows que falta pra cena de Recife. Aí já viu, de uma idéia, Pablo já traçou um plano de viabilidade ali mesmo, no gogó, pra estimular os nossos parceiros. Agora é fazer pra crer. Tamo junto.

Papo vai, papo vem e é chegada a hora de vazar. Henrique, do Coletivo Lumo que fez nosso translado e como não tinha carteira de mtorista, me botou no volante. Claro que pegar um carro diferente em uma cidade desconhecida é sempre um desafio, mas deu tudo certo. rs. Chegamos sãos e salvos no Cult Hotel pra mais um turno de trabalho mesmo com a net do hotel não facilitando em nada o processo.

No Hotel, assisti Vanguart que pela segunda vez foi no Altas Horas. Tocaram duas músicas (Dorival Caymi e Semáforo) e falaram sobre o DVD que gravaram recentemente pela Multishow. Citaram Mato-Grosso em algum momento que não me lembro bem. rs. Mas como da primera vez, nada muito diferente. A tendência agora é cada vez mais aumentar o cachê e se afastar do circuito independente.

O bom é que novas bandas surgem com novo pensamento para alimentar a cena alternativa na pegada da formação coletiva, como é o caso do Nuda do Lumo. Bandas que já entendem a lógica das majors pra saber que o intuito não é ser sucesso de massa e sim, construir um princípio novo da cultura musical. E na real, esse é o verdadeiro diferencial que está sendo construído por tantos agentes dessa cena. Ser uma banda que faz sucesso de massa, além de não ser novidade é cada vez mais raro e difícil.

Esse tema é sempre pauta dos pensadores da música independente e quase sempre o desfecho coerente é o mesmo: se o motivo é sobreviver da música autoral, esse é um paradigma superado com a existência de organizações coletivas e com as várias ações desenvolvidas em rede. Por isso Artista Igual Pedreiro é o slogan do momento. Talvez o seja de uma década, duas…

O mainstream já não é necessário para mais nada além de promessas mal cumpridas de enriquecimento de uma banda. Mas não deixa de ser engraçado ver a mudança de sonhos que geralmente acontece nas pessoas quando se encontram com tal “oportunidade”: o “sonho de um mundo melhor” pelo “sonho de enriquecer e pirar”. Talvez o último sempre tenha sido o sonho verdadeiro. E foi justo ele que acabou, na cena musical. Que venha o mundo melhor.

Divagações a parte, as últimas notícias dizem que Obama disse que Lula é “o cara”, a Priscila ganhou a liderança da semana no BBB, Prison Break acabou (pra não morrer de tristeza o jeito é locar os DVD´s. rs) e Pedro Acosta me acionou depois de séculos pelo msn pra me dizer que está trabalhando e que o Cubo inspira isso nele.  rs. Dêem só uma olhada no novo artista que nasce por aqui, com direito a matéria no Jornal do Brasil.

Vou ficando por aqui…

Beijos.

Dias de andarilhos

dsc088761Faculdade de Goiana

Ontem tava muito afim de postar como tudo rolou em Campinas, depois de mais um dia inteiro de viagem para Recife (com parada em Salvador de 7 horas, por isso a demora), mas a sorte não ajudou dessa vez com a internet do hotel “Cult” (já em Recife) que tava com problemas. Porém, nada que comprometesse a vontade de compartilhar a experiência no dia de hoje.

Pois bem, em apenas um dia em Campinas conheci a Unicamp junto com o produtor das oficinas do Conexão Vivo Talles Lopes (do Goma). O Diretor de Cultura da universidade nos mostrou bastante da estrutura voltada para as artes, especialmente na área da música e certamente não é a toa a fama de ser uma das maiores universidades do país. Comportando cerca de 25.000 alunos entre graduação e pós graduação, a estrutura e infra universitária é alto nível.

Saindo da Unicamp, foi o tempo só de tomar um banho para chegar ao Centro de convivência Cultural onde Pablo Capilé palestraria junto ao Célio Turino. O teatro estava lotado contando inclusive com coletivos parceiros de cidades vizinhas para um encontro após a palestra (como o Massa Coletiva e Escárnio e Osso). Cerca de 50 pessoas compareceram para ouvir o que os gestores culturais tinham pra dizer. Pablo foi extremamente aplaudido e mesmo não sendo novidade, é sempre bom perceber como o nosso case faz sucesso brasil a fora. Célio Turino mais uma vez se mostrou extremamente favorável e contente com nossa iniciativa a ponto de incitar a replicação do sistema de crédito Cubo Card no poder público. Gravei tudo tendo mais um rico material do nosso trabalho pra tv cubo e outros projetos.

Após a palestra, seguimos para o Piola com os parceiros do Conexão Vivo, Goma, Massa Coletiva, Travolta discos, Escárnio e Osso e Célio Turino. O Piola é um restaurante “campinense” bem bacana. Célio marcou com Capilé um café da manhã no hotel (no dia seguinte) para mais discussões e propostas para o Circuito Fora do Eixo. Pós café, já era hora de seguir pra Recife.

Como relatei no primeiro parágrafo, mais uma viagem longa. Nem sempre uma viagem por ser de avião é mais rápida que a de transporte terrestre (rs). Mas enfim, a chegada em Recife aconteceu e assim que nos acomodamos  no Hotel Cult, recebi a ligação da Mary (produção da Fundarpe) avisando sobre o intinerário do outro dia: coletiva de imprensa às 9:00, translado para Goiana (cidade próxima onde rola a oficina) às 11:00, almoço e às 14:00 o início da oficina. Mesmo extremamente cansada, ainda aguentei esperar antes de apagar de vez para assistir ao Prison Break (afinal fiquei na espera por quase duas semanas). Fazia tempo que não me viciava em uma série desde 24 horas. Findado o espisódio, finalmente o sono dos justos.

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Cubistas em ação

No dia seguinte o relógio despertou às 8:00 pra dar tempo de estarmos prontos às 9:00. Mas a coletiva foi cancelada e deu pra tomar café e dormir mais uma horinha. Logo descemos para trasladar à Goiana. Não deu pra conhecer muitos pontos da cidade mas tem todo o jeito “pernambucano” (como não poderia deixar de ser). A oficina rolou na Faculdade de Goiana (particular) e compõe a programação do Festival Pernambuco Nação Cultural 2009 realizado pela Fundarpe – Fundação  do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco (Para conferir a programação, clique aqui). Nossos parceiros do coletivo Lumo estavam presentes, além de grupos de Hip Hop, orquestra, ponto de cultura de resgate cultural da cidade, centros culturais e etc. Perfil bem diverso  e no entanto, todos com a mesma sede de auto-sustentabildade.

Pablo abriu a oficina solicitando que todo mundo se apresentasse e logo após iniciou sua fala. Apresentou o  histórico do Espaço Cubo e como se deu o desenvolvimento de seus setores de produção, além da intensa participação nos debates de política pública cultural com Fóruns e o poder público local. A partir da fala do planejamento, a maior parte dos envolvidos logo se entrosaram e começaram a relatar suas experiências culturais apresentando dificuldades, ações e expectativas para a melhora do cenário. Daí já dá pra imaginar que ultrapassamos o horário previsto e ao invés de 17hs, a oficina se encerrou às 19. Extremamente produtivo e já com o diagnóstico para o próximo passo amanhã: explanação do organograma do cubo com aplicação do exercício nos grupos participantes e explanação de projeto com estrutura ampliada para excução de atividades.

dsc08890Mesa redonda

Tudo certo. Filmamos, tiramos fotos, coletamos mailing e agora é dar continuidade. Terminando esse post ainda tenho que revisar mails, carregar câmera, celular (que só tá servindo pra me orientar quanto às horas), notebook, assistir Prison Break e dormir.

novacampinasmapa de Campinas

Mais uma viagem longa. 24 horas entre vôos, aeroportos, rodoviárias e ônibus. Tudo pelo intercâmbio e colheita de novos frutos. Tudo pela causa. Finlizado o VI Campus Euro Americano de Coperación Cultural (Em Buenos Aires), nova correria para chegar em Campinas SP (terra da sandy).

Campinas surgiu no meio do caminho em nosso roteiro de viagens. O motivo é uma reunião com o Célio Turino (MINC) para o “desenrolar” do prêmio Fora do Eixo já pensado e articulado desde a Teia Cultural de 2007. Novos rumos estão surgindo. Aguardem.

De campinas seguimos para Recife onde ministramos uma oficina (já comentada aqui) de fomento à coletivos culturais. Depois de Recife, estamos sendo sondados para um trabalho em São Paulo, portanto, não posso dizer seguramente quando estaremos de volta em terras cuiabanas novamente. Como sempre, aproveitando pra matar cinco coelhos em uma cajadada.

Saudades de Prison Break e espero que a Ana saia hoje do BBB. Força Josi.

Até amanhã.

animacionUniversidad Católica da Argentina

E mais uma vez estamos em Buenos Aires (Argentina). A primeira vez, em 2008, viemos para participar da BAFIM (maior feira de música da América Latina) e agora, convidados para o VI Campus Euro Americano De Coperación Cultural. Depois de um dia inteiro sofrido no aeroporto de Guarulhos (SP) à espera do vôo pra Buenos Aires, aqui estamos.

Chegamos, Eu e Mari, no dia 23 com tempo somente para dormir. Pablo já estava aqui. No dia seguinte, direto pra Universidad Católica da Argentina. Aliás, já tínhamos visto a universidade da outra vez que estivemos aqui, mas não tínhamos conhecido. É bem estruturada e ocupa vários quarteirões.

O primeiro desafio em terra estrangeira é sempre o idioma. Afinal, é preciso se conectar. Por conta disso já pensamos em como precisamos nos dedicar a falar espanhol, inglês e etc. Realmente é uma diretriz pertinente considerando que o número de convites para viagens internacionais tendem a aumentar.

Bom, as discussões do Encontro estão girando em torno da união do conhecimento científico com a prática social da cultura. Tema recorrente em todas as palestras. A partir disso, teorias e idéias interessantes para reflexão estão surgindo, como o caso do mexicano Marcelino Cereijido que trouxe a teoria do analfabetismo científico. De um jeito simples e descontraído, Marcelino destaca que a percepção e interpretação da realidade são fundamentais para o desenvolvimento de qualquer nação, em especial, a cultura. Em plena Universidade católica, disconstrói o pensamento de autoridade pautado em dogmas e crenças religiosas que moveu por muitos anos, as diretrizes mundiais. Porém ressalta que a mesma crença nos dogmas deve existir para praticar a realidade científica.  Cereijido destaca que o que une os grandes sábios da Historia (Marx, Hegel, Darwin e etc) é que todos conheciam bem a realidade como parte de um processo formado por hábitos culturais e os analfabetos científicos, são alienados da realidade em processo e se “fecham” um contexto limitado que não permite o dinamismo existente em todo processo cultural da humaniade.

Entre outras falas interessantes, permeia a idéia de que não estamos vivendo uma época de mudanças e sim, uma mudança de época e é nesse espírito que devemos encarar a maior dinamicidade da cultura afim de acompanhar cientificamente as práticas culturais. Além do que, vivemos numa sociedade científica e não podemos ignorar esse fato se quisermos avançar no âmbito cultural. Se pensarmos rápido, se existisse uma faculdade de cultura, de fato o mercado cultural seria mais abrangente, bem como o número de pessoas a se integrar no setor. Além disso, “enquadrado” numa instituição acadêmica, mapeamentos, indicativos numéricos e sistematizações afim de organizar melhor as informações culurais, certamente estariam grantidos. Talvez seja mais um “ítem” pra mudança de paradigma cultural que devemos nos concentrar.

Em dois dias conhecemos pessoas da Itália, México, províncias da Argentina e etc e o mais supreendente é que todos disseram que o Brasil se destaca no âmbito da política pública cultural pelo fato de existir Lei de Incentivo, ferramenta que não está disponível nestes países. Dá pra acreditar?

Pois bem, amanhã relato um pouco mais desse segundo intercâmbio em Buenos Aires.

Besos chicas y chicos.

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Oficina de vida

42-16790351Imagem Ilustrativa

Nunca me dei bem com discursos. Ambientes da oratória me deixam desconfortável. Mas a necessidade do discurso para ativar a vontade da prática, é fundamental. Por isso é confortável coletar, separar, encaixar, manter e organizar as informações e atividades que formam as palavras do que deve ser dito. To falando sobre isso porque vamos ministrar uma oficina no nordeste daqui há uma semana. E como sempre, há uma meta a ser alcançada.

O desafio de ministrar oficinas para grupos de mais de 05 pessoas é um exercício valoroso. A presença de público ou platéia para ouvir você falar do que deve ser dito com propriedade, causa uma necessidade de se estar além da maioria senso comum que quase nunca é compreendida pelo senso comum com harmonia. Mesmo para os bons oradores. A harmonia seria concluída com a vontade de se entregar à troca, sem orgulho ou vaidade por ambos os lados: o de quem está na condição de ensinar e de aprender. Normalmente cada um de nós deve ter ambas como predisposição pra que tudo dê certo, sabendo dosar a hora de falar e de ouvir.

A realidade é que a vivência é o que torna essa harmonia possível. E por isso, independente de serem 05 ou 30 pessoas participando de um discurso, só concretizamos a troca se todos os envolvidos se disporem a contribuir. E nessa hora entra o “mão na massa”. A discussão e a execução de atividades voltadas para um objetivo comum, vão delineando uma forma, um conceito que só com o cotidiano, é percebido pela realidade. E por isso uma oficina plantada pelo Espaço Cubo, deve semear a idéia de continuidade em formação coletiva. O surgimento de novas organizações ou coletivos que pratiquem o exercício da troca.

Pensar na experiência que tivemos pelo interior de Minas, no Acre e viver outra no Nordeste me fez pensar sobre o papel de uma oficina e de qual a melhor maneira de se encaixar pra contribuir. Opções de trabalho nunca faltam pra auxiliar na formação de coletivos. Cada trabalho concedido é valioso para essa construção. E cada trabalho que é entregue ao sistema é compartilhado e usufruído por todos os participantes da rede. Um exemplo disso é a viabilidade de um projeto como o de uma oficina em que um coletivo busca os serviços de outro pra se concretizar. A atividade gera uma série de trabalhos que ampliam os serviços a serem ofertados com pagamento pautado na troca e qualquer agente integrado pode trocar.

Praticar o exercício da troca é o que mantém o estímulo para se criar o hábito de um coletivo. E realizar um coletivo é valorizar o trabalho próprio, autônomo, independente e livre para a criação típica de um laboratório. É ainda experimentar as ferramentas, combinações, probabilidades traçando um único caminho: o da experiência compartilhada que gera o desenvolvimento de um objetivo comum. No caso, o universo cultural tende a crescer significativamente com a formação e desenvolvimento de coletivos que trabalhem com o sistema de troca para ampliar a rede de trabalhos ofertados para o desenvolvimento da cadeia produtiva musical e de seus artistas. E extrapolando o segmento musical, o mesmo serve pra qualquer outro cenário que busque na cultura, alternativas de sobrevivência, crescimento e qualificação.

O papel de uma oficina pode mesmo estar atrelado ao de uma grande missão. É como enxergar qualquer outra ferramenta simples com os olhos da genialidade desmistificando o dom ‘quase-imposto’ do que é ser um gênio. Qualquer um pode contribuir quando decide fazer. Qualquer um pode mudar o que não o satisfaz. Qualquer trabalho carrega em si o “dom” da transformação. É por ele que temos o canal de nos misturarmos e plantarmos no mundo. E é através de um coletivo que conseguimos fazer desse simples trabalho, uma outra realidade de vida. É o que acredito.

Logo mais no blog do cubo card, vejam o plano de trabalho da oficina cubista.

Cubana a postos

Para testar mais uma das multifunções que os “soldados” do cubo constumam cumprir, o cubanna vem para contribuir com impressões sobre o desenvolvimento dos trabalhos da cena alternativa cultural e discorrer sobre os trabalhos do sistema de crédito Cubo Card.

Cubanna é feminino e não nega a simpatia por uma perspectiva de vida pautada num modelo verdadeiramente democrático que não se tem de exemplo no sistema capitalista constituído. Não foi a toa que criamos um sistema de crédito que busca nortear as ações humanas a partir do desenvolvimento do trabalho ao invés do desenvolvimento do capital. Com isso ampliar as trocas e tornar acessível um mesmo conhecimento para um leque imensurável de pessoas ao invés de tornar uma descoberta que envolve todos sob o poder de alguns.

Premissas como estas conceituam o trabalho que estamos desempenhando como uma cultura solidária que acredita ser o potencial humano a maior riqueza a ser bem distribuída entre os participantes de uma mesma história.

Sempre que penso no Cubo Card, penso num outro paradigma, outro mundo. Ainda que o laboratório implantado hoje ainda esteja aquém do que almejamos pra ele um dia, já é muito fácil sentir como uma luz se abriu no fim do túnel para a concritude de trabalhos próprios, autorais, com a liberdade de aprender e crescer com o que se faz sem a necessidade de “nascer sabendo” ou cumprir protocolos “de fachada” pra garantir o “ganha-pão”.

O cubo card quer garantir o conhecimento humano pautado na vivência. Conhecimento este que uma vez compartilhado traz a subsistência dos sujeitos e dos projetos próprios desenvolvidos. A essência desse sistema só existe com o exercício da democracia e por isso carrega no ventre o feto de um novo paradigma que lutaremos por toda a vida pra nascer, crescer e se desenvolver.

Acompanhem a continuidade dessa vida, também por aqui!